Blog dos Obsoletos (+de50)


Campeões de audiência

As redes Globo e Record estão lavando roupa suja em público, no horário "nobre" da televisão.

A Globo divulgou um resumo das acusações feitas pelo Ministério Público sobre as práticas negociais da Igreja Universal do Reino de Deus, denunciando a formação de quadrilha, o desvio e a lavagem de dinheiro, além de exploração da credulidade pública com seus "shows de fé" e de "milagres".

A Record revidou com acusações sobre o affair Time-Life, de quase cinquenta anos atrás, o caso Proconsult na apuração dos votos para o governo do Rio de Janeiro, na primeira gestão Brizola (coisa de trinta anos atrás) e ainda, pelo descaso da Globo na cobertura do movimento "Diretas Já!", do final dos anos oitenta (trinta e poucos anos).

Que o assim denominado e auto-sagrado "Bispo" Edir Macedo não é flor que se cheire, todos sabemos. O lava jato da fé por ele montado serve para a exploração das camadas mais humildes da população, vendendo salvação e pretensos milagres e para a arrecadação, segundo o MP de coisa da ordem de R$ 8 bilhões nesses anos de dedicado trabalho "espiritual".

Mexer com a fé dá nisso: não há necessidade de cursos nem diplomas; a montagem inicial dos templos é barata; não há fiscalização da qualidade dos produtos; não se exige comprovação de resultados nem prazos de validade; e o consumidor não pode se valer do Procon ou de qualquer outro órgão fiscalizador. O Direito do Consumidor não pode ser invocado pelos iludidos.

Além disso as contribuições são feitas em dinheiro vivo, sem recibo nem nada dessas coisas complicadas que a lei exige para qualquer outra atividade e as igrejas são isentas do pagamento de tributos pela Constituição, o que garante um usufruto total da arrecadação por aquele que detenha as chaves do cofre.

A IURD, a exemplo de outras igrejas, especialmente as televisivas, também opera um sistema de franquia para a montagem de novos templos e multiplicação de seu alcance e vem formando uma bancada de deputados estaduais, federais e senadores, a fim de realmente partir para a conquista do poder. Em nome de Jesus!

Não é à toa que vimos assistindo a uma verdadeira multiplicação de cultos pelo país. Antigamente eram apenas Pastores: agora são Bispos, Bispas, Profetas e Apóstolos, todos com suas mensagens maniqueístas, atribuindo ao demônio tudo o que de mal acontece aos homens e vendendo a imagem da salvação eterna mediante o pagamento de dízimos e oferendas. E todas elas transformando seus altares em verdadeiros terrenos de vodu, exorcizando demônios e coroando os cultos com palavras cabalísticas inventadas a partir de uma tendenciosa e ridícula interpretação de um trecho da Bíblia (Pentecostes).

Não pretendo dizer que a Rede Globo seja totalmente inocente das acusações alinhavadas pela Record, mas o sabor requentado de assuntos tão antigos indica que a Globo acertou nos calos da rival.

A nós, telespectadores, resta o consolo do controle remoto. ZAP neles!

Volto ao assunto mais tarde.

 



Escrito por Paulo às 11h51
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Homens e Cavalos

Estou olhando um quadro de cavalos que se encontra na parede meu escritório e me veio à mente a curiosa interação entre homens e cavalos desde a antiguidade. Na Grécia as lendas falavam da existência de seres mitológicos, os centauros, com corpo de cavalo e torso e cabeça de homens e ainda, de um fantástico cavalo alado, o Pégaso, domado pelo herói Belerofonte.

Ainda na História Antiga a queda de Tróia deveu-se a um estratagema dos espartanos, abandonando no campo de batalha um grande cavalo de madeira recheado de guerreiros. Estes teriam aberto as portas da cidade assim que o troféu de guerra foi levado para dentro dos muros da fortaleza.

Os índios americanos tinham uma relação quase afetiva com seus cavalos selvagens, os mustangs, que emprestaram o nome a um dos maiores sucessos de venda da Ford. Por falar em automóvel, cite-se ainda o inesquecível logotipo da Ferrari que representa um cavalo empinando.

Além de meio de transporte e de carga dos homens, os cavalos tiveram papéis de destaque nas guerras e nas conquistas da humanidade. Gengis Khan não teria conseguido dominar metade do mundo conhecido se não fossem os cavalos e cavaleiros mongóis, respeitados e temidos em seu tempo. O mesmo se diga de Alexandre da Macedônia.

Em Roma o Imperador Calígula teria nomeado seu cavalo Incitatus para o Senado, não sei se para demonstrar desprezo pelo Senado ou para enaltecer a figura do cavalo.

Os conquistadores espanhóis do Novo Mundo tiveram sua ação grandemente facilitada pelo fato de se apresentarem montados em cavalos, animal desconhecido na América do Sul e eram vistos como deuses em suas armaduram brilhantes e montados naqueles animais magníficos e musculosos.

No épico espanhol "Don Quixote de La Mancha" o cavalo do herói, Rocinante é um mero pangaré, mas aos olhos do ensandecido Cavaleiro da Triste Figura seria um corcel maravilhoso, digno de suas conquistas.

Nos gibis de minha infância muitos foram os cavalos que ficaram famosos: há um que era fantástico, pois o mocinho se chamava Doutor Robledo, um médico insignificante que montava um cavalo esquálido denominado Molenga. Quando surgia algum perigo que justificasse a intervenção do herói ele vestia uma roupa preta com máscara, uma cartucheira com dois revólveres e se transformava no Cavaleiro Negro. Curiosamente, o cavalo sacudia a crina, se empertigava e também se transformava num verdadeiro puro sangue, chamado Tufão. Grande ator esse cavalo!

No cinema foram muitos os cavalos que pontilharam minha infância, desde o inesquecível Triger, do Roy Rogers, até o não menos inesquecível Silver (aiôôôu, Silver!), do Zorro, que fazia par com o Escoteiro, cavalo de seu companheiro, Tonto. E não se pode falar de heróis e seus cavalos sem lembrar o Herói, do Fantasma, sempre trotando lado a lado com o lobo Capeto.

São muitos os cavalos inesquecíveis, porém me ocorre uma dúvida que nunca consegui responder: qual era mesmo a cor do cavalo branco de Napoleão? Ou seria uma égua?

É só por hoje.



Escrito por Paulo às 12h09
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Lei antifumo - (Fumo sim, e daí?)

O Governador Serra saiu recentemente de um merecido ostracismo em companhia de seu médico televisivo e amparado por uma veradeira milícia chiita, para vir a público com uma legislação antifumo que vem criando celeuma e exacerbados debates, principalmente na Capital.

O problema maior é que a lei não se limita a impor regras de convivência e a dividir espaços entre fumantes e não fumantes, mas foi editada com o fervor místico digno de um Antonio Conselheiro para impor o que eles consideram que é bom e o que não é bom para a sociedade. A lei quer acabar com o fumo, acabando com os fumantes e enaltece a prática da delação pretendendo tornar-nos todos fiscais compulsórios da lei.

O próximo passo deverá ser a exorcização dos Espíritos do Mal que regem o fumo e determinar, a exemplo dos pastores da televisão: eu te ordeno, ó maligno, que deixeis o corpo deste fumante, em nome de Jesus!

A lei federal 9294/96, no entanto, já havia pontificado sobre o tema estabelecendo uma democrática divisão de espaços entre fumantes, não fumantes e os que não estão nem aí com o fato.

A lei 9294/96 estabelece que não se pode fumar em recintos coletivos, públicos ou privados, mas ressalva: salvo nos locais especialmente destinados a essa finalidade. Ora, partindo do fato de que a lei nunca contém palavras inúteis, isto equivale a dizer que nos recintos coletivos públicos ou privados deve, ou pelo menos pode haver "locais especialmente destinados a essa finalidade".

Basta um pequeno compressor criando uma cortina de ar sob pressão para dividir até mesmo o compartimento de um avião, de forma a não ferir as sensibilidades de quem não fuma e garantindo-se o direito de quem é dependente físico, químico, psicológico e precisa da ingestão contínua e dosada desse veneno social. Afirmar que fumantes e não fumantes não podem dividir o mesmo espaço é mera balela, fruto, provavelmente, de uma síndrome de abstinência de ex-fumantes. 

Lembrem-se que ninguém fuma porque quer, mas sim, por que precisa. Somos viciados, dependentes, e essa dependência nos foi imposta com a participação, incentivo e beneplácito do Estado que permitiu que o vício se disseminasse livremente, de olho na receita tributária escorchante de mais de setenta e sete por cento do preço de cada maço.

Mas o governo de São Paulo não quer impor uma divisão de espaços: ele pretende primeiramente escorraçar da sociedade os fumantes; num segundo momento, talvez tenhamos que andar com um cajado com um sininho na ponta, como os leprosos medievais ou, quem sabe, teremos que costurar uma estrela no paletó para nos identificarmos.

Dizem os criadores dessa lei que ninguém está proibindo o fumo. Mas na verdade estão, pois criam tais limitações ao fumante, que equivalem a tornar o fumo atividade ilícita, o que é inconstitucional, já que a prerrogativa e competência para legislar sobre o tema é da União.

Se essa política burra fosse aplicada à AIDS ou DSTS, por certo iam rolar cabeças.

O fervor chiita do Governador (que não fuma mais, lógico!) pode ser constatado pelo aparato fiscalizatório que foi montado a peso de ouro com o dinheiro público (inclusive dos fumantes, que trabalham, pagam impostos e votam!) com objetivo meramente arrecadatório.

O fato mesmo é que a lei estadual é em muitos pontos inconstitucional, já que interfere na liberdade dos cidadãos, que não podem ser impedidos de fumar pelo fato de que a venda, comércio e consumo de cigarros são atividades lícitas em nossa sociedade. Além disso, a lei estadual não tem o condão de revogar a lei federal, em pleno vigor. E essa lei (9294/96), repetimos: não proíbe o fumo, mas sim, limita os espaços onde esse possa ser exercido.

Por outro lado, o Estado não pode impor ao comerciante o ônus de fiscalizar o cumprimento da lei, sob pena de ele mesmo responder pela sanção econômica. Comerciante não é fiscal do Estado. Nem pode ser punido por atos de terceiros a que não tenha dado causa.

E há mais: a lei admite (que generosidade!) o fumo em residências dos fumantes. E como fica uma festa de casamento realizada em um buffet alugado integralmente pelos noivos? Ou uma festa particular realizada no saláo de festas do condomínio? Trata-se de extensões da residência do locador e não há de ser o Estado que poderá impedir o consumo de cigarros (que são produzidos e vendidos licitamente, repita-se!).

Advirta-se ainda com o fato de que um fumante que se veja compelido a consumir 40 cigarros por dia precisa da ingestão dosada de 4 cigarros por hora. E se se tratar de um médico (sim, muitos deles fumam!) terá que abandonar a profissão por falta de um fumódromo em seu ambiente de trabalho? Ou um advogado trabalhando no Foro? O fumódromo ("local especialmente destinado a essa finalidade") não é uma benesse do Poder nem pode ser entendido como fruto da generosidade do poderoso de plantão.

Entendo que a ausência de "locais especialmente destinado a essa finalidade" representa séria ofensa ao direito de ir e vir garantido pela Constituição Federal e desafia a impetração de habeas corpus.

O assunto se encontra sub judice e esperamos que vença o bom senso, a despeito da maioria dos juízes não ser fumante, o que, no entanto, não deve comprometer suas considerações, já que sua decisão será estritamente jurídica.

Se isso não acontecer, resta a nós instalarmos um bafômetro na boca das urnas e só darmos nosso voto a quem nos respeita como cidadãos que somos.

O assunto está em aberto e volto a ele.



Escrito por Paulo às 11h55
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