Blog dos Obsoletos (+de50)


A alma do negócio

O telespectador brasileiro é um consumidor de anúncios, não por que queira, mas pelo fato de que nenhuma das estações de televisão cumpre a lei e exibe muito mais propaganda do que deveria.

Entendo que, apesar de tudo, somos obrigados a tolerar os espaços publicitários na TV aberta, pois é deles que sai o patrocínio dos programas. Mas e na TV a cabo que é paga, custa caro e ainda nos enche de anúncios e irritantes infomerciais que parecem feitos para débeis mentais? Por que pagamos para receber um sinal que nos é cobrado uma segunda vez?

Mas, quanto à propaganda, além de encher nossa paciência também apresenta "pérolas" de mau gosto e de raciocínio ilógico.

A Folha de São Paulo, por exemplo, ganha de longe o primeiro prêmio na categoria "Ai meu saco!". Primeiro com aquela tentativa - malfadada - de transformar o jornal de domingo no Folhão, pois o apelido (tirado do Estadão) se constrói com anos de dedicação ao leitor e não com um irritante martelar de uma agência de propaganda.

Depois foi aquele rato horroroso a repetir o telefone (qual era mesmo?) dos classificados. E agora tem um anúncio que, além de improdutivo é ruim pra cachorro: aquele da mosca que pousou na minha sopa (xô, dona mosca!). Mudo de canal toda vez que aparece.

E vejam que a Folha já usou anúncios memoráveis, como aquele que citava trechos de um discurso nacionalista, com a imagem se tornando cada vez mais nítida até percebermos que se tratava de um discurso de Adolf Hitler (Aplausos!).

O que houve? Mudaram de agência? Deu branco nos publicitários? Ou é o responsável pela aprovação das peças que é fraco?

Mas não fica nisso. O Ford Fusion tem um anúncio no ar que mostra duas alternativas para uma mesma proposta (Onde voce pretende estar daqui a cinco anos?). O final é engraçado pela comparação dos planos de cada um. Só que a assinatura diz mais ou menos isso: "quem dirige um Ford Fusion fez por merecer".

A frase final não tem nada a ver com a imagem apresentada. No caso do rapaz, tudo bem, ele se apresenta vitorioso, dirigindo o seu carro. No caso da moça quem está dirigindo é o rapaz (como mero motorista) e a vitoriosa é ela.

Coerência e adequação, gente!

Já o remédio Claritin mostra mãe e filha no sótão de sua casa (sótão? no Brasil? onde?) abrindo um baú que contém um vestido de noiva. Imagina-se que seja do casamento da mãe, mas não está mofado nem amarelado, está pronto para usar. Milagres da televisão.

Sugiro que os telespectadores usem o controle remoto para punir quem abusa de nossa paciência e faz pouco de nossa inteligência. ZAP neles, gente!

 



Escrito por Paulo às 17h56
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Desafiando o perigo.

Antes de mais nada, antecipando-me aos mais apressadinhos, quero reafirmar minha consternação pelo acidente sofrido pelo piloto Felipe Massa e somar meus fluidos positivos, seja lá o que isso possa significar, aos de todos os brasileiros, torcendo por sua pronta e completa recuperação.

No entanto, não poderia deixar de observar que o perigo é uma constante na vida dos pilotos, que são pagos - e muito bem pagos - para desafiar a probabilidade da ocorrência desses sinistros. É uma opção de vida que não é imposta a ninguém e que é assumida por existir uma relação custo/benefício que interessa a essas pessoas.

O público que frequenta os autódromos e aqueles que grudam na televisão domingo sim, domingo não, por sua vez, só o fazem para ver os pilotos correrem riscos e quanto maiores, mais admirados. É uma verdadeira catarse nacional, que nos transforma por poucas horas em Massas, Sennas, Piquets ou Fittipaldis sem que tenhamos de nos arriscar.

O público vibra com as ultrapassagens perigosas, com os inevitáveis choques entre os bólidos e - porque não? - com os acidentes previsíveis que ocorrem de tempos em tempos. Se as corridas não contivessem em si o germe da possibilidade de acidentes cada vez mais severos o interesse do público iria minguar, a audiência diminuiria gradativamente e os elevados patrocínios e salários deixariam de existir.

Imaginem uma corrida de Fórmula I em que as baratas não pudessem ultrapassar os cem quilômetros por hora. Tanto pilotos quanto o público morreriam de tédio!

Por essa razão sou obrigado a contestar aqueles que falam da "fatalidade" de acidentes como o de Ayrton Senna e agora de Felipe Massa, usando essa expressão como sinônima de imprevisibilidade. E esses acidentes, que se repetem com insistente regularidade não vão impedir que outros mais, cada vez mais sérios continuem acontecendo no futuro, nem que seja pelo simples desejo de superação pessoal dos pilotos.

Há alguns anos dois alpinistas brasileiros resolveram desafiar a escalada do Aconcágua pela face mais difícil e perigosa e acabaram perdendo a vida na infeliz tentativa. Não acho, no entanto, que devamos chorar por eles, pois eles procuraram  desafiar expontaneamente os limites de suas possibilidades físicas e encontraram o que buscavam ansiosamente, pagando o preço que sua aventura lhes impunha.

Ninguém é obrigado a ser piloto, ou alpinista. A ninguém é imposto navegar sozinho até a Antártida ou megulhar no meio de tubarões. E quem realiza essas proezas ou maluquices está disposto a pagar o preço de sua ousadia, seja por mero capricho pessoal ou em busca do pote de ouro que se encontra no final desse arco-íris de riscos e perigos.

Dito isso, reitero minha esperança de que Felipe Massa se recupere totalmente, mas não posso deixar de constatar que ele encontrou o que sempre buscou.

Perdão pela dura e amarga sinceridade.

 

 



Escrito por Paulo às 16h30
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