Sobre nomes.
Nos anos 40 e 50 o cinema se incumbiu de criar uma legião de fãs da menina prodígio Shirley Temple. Todas as mães queriam que suas filhas tivessem cachinhos e soubessem cantar, representar e sapatear como a estrela-mirim. Assim, nasceu um batalhão de Sirleis (com a tônica recaindo na segunda sílaba). Depois vieram as Sirlenes, Cirlenes, Sirlênias e quantas outras corruptelas se possa imaginar para o nome. Pouco depois surgiu o Padre Donizetti Tavares de Lima, que diziam fazer milagres em Tambaú. Seu nome homenageava um famoso compositor de música clássica, assim como aconteceu com seu sobrinho, Chopin Tavares de Lima, que veio a ser deputado federal por São Paulo. Para homenagear o padre, ou para cumprir promessa, surgiram milhares de Donizetes, Donisetes ou Donizetis por esse Brasil e nunca mais se falou no compositor. A grande maioria dos Donizetes não tem a menor idéia da origem de seu nome, conseguindo chegar, no máximo, até o pároco pretensamente milagreiro. Nos últimos 30 anos despontou o Rei do Pop, Michael Jackson, que veio a originar uma multidão de Maicons e Maicon Jecas em todo o território nacional. Nào nos esqueçamos de Lady Diana Spencer, que criou uma infinidade de Leides, Leidedais, Daianes e Dayannys em nosso país. Esses fenômenos não são novos. A vontade de reproduzir nomes famosos aliada ao analfabetismo endêmico em nosso país vem criando há muito tempo mostrengos como Washtons, Magaiveres e até mesmo um jogador de futebol que ostenta o nome de Alandelon. No futebol, aliás, terreno propício a esse tipo de ocorrência, já que a maioria dos jogadores vem das camadas menos favorecidas da população encontra-se nomes como Ibson, Madson, Keirrison e Richarlyson, podendo-se dizer, contudo, sem medo de errar, que não há um Ib, Mad, Keirri ou Richarly Seniors que justifiquem a terminação "son" dos nomes de seus filhos. Até o ex-presidente Sarney ganhou esse apelido pois era filho do Ribamar, que trabalhava na fazenda do Sir Ney. Foi assim que o José Ribamar passou a ser identificado como "o do Sir Ney", devidamente abrasileirado e incorporado, para diferenciar dos muitos José Ribamares do Maranhão. Coisas de Brasil, que só tem esse nome por causa da madeira avermelhada que parece uma brasa acesa.
Escrito por Paulo às 15h53
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