Blog dos Obsoletos (+de50)


Obrigado, Maicon!

O showbizz está de luto, como de resto, todos nós.

Michael Jackson está morto, após uma vida curta, produtiva e extremamente conturbada. Em seus 50 anos ele flertou igualmente com a genialidade e com o escândalo.

Na música, foi gênio desde criança, nos tempos do Jackson Five, com uma voz cristalina e afinadíssima. Depois, em carreira solo brilhou tanto no canto como na dança, brindando-nos com albuns como Thriller, Bad e outros e inovando com passos desconcertantes, como o moonwalk e seus clips vão ficar como exemplo de genialidade artística para sempre.

Infelizmente ele não repetiu na vida privada a qualidade dedicada às artes e passou para o mundo todo a imagem do menino que não queria ser negro (bobagem, pois era um negro bonito e simpático) e que tentou a todo custo se tornar parecido com Diana Ross. Deixou ainda intrigantes acusações de pedofilia, nunca provadas e muitas delas encerradas mediantes polpudos acordos extra judiciais que ajudaram a dilapidar seu patrimônio.

O menino que não queria ser negro também não queria crescer e fez de sua Neverland o refúgio de seus temores e esquisitices mas, reconheça-se , foi inegavelmente um astro de primeira grandeza, que vai deixar saudades.

No Brasil, há uma legião de Maicons e Maicon Jecas que vai chorar mais do que nós a perda de seu paradigma.

Obrigado, Michael Jackson! Obrigado por ter existido.

Por hoje é só.

 

 

 



Escrito por Paulo às 14h06
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Por debaixo do pano

Estamos, mais uma vez, estarrecidos!

Já devíamos estar acostumados, com a capacidade de nos indignarmos amortecida pelos inúmeros desmandos e pilantragens que pontilham a política nacional.

Mas nossa consciência não nos deixa ficar calados e nos anima a acreditar que um dia as coisas poderão ser diferentes.

Por eses dias veio à tona o conhecimento da existência de 663  "Atos Secretos" do Senado (placar ainda sujeito a acréscimos) que vêm sendo editados por debaixo do pano há pelo menos quinze anos, com o único objetivo de permitir que os políticos eleitos por nós pudessem meter a mão na grana da República, ou seja, na nossa grana! Como isso foi possível? como admitir que funcionários do primeiro escalão do Senado, aliados a Senadores da República pudessem executar a safadeza por tanto tempo? Difícil acreditar que não haja um só cidadão honesto que pudesse ter tido um momento de consciência ou de lucidez para comentar ou desvendar a pilantragem. Difícil imaginar que uma trama envolvendo tanta gente não tenha tido nem mesmo um Eriberto para colocar a claro a pilhagem...

O Presidente Sarney correu em defesa da "Instituição" que preside, dizendo que não é justo que se crucifique o Senado, mas sim, apenas alguns servidores.

No entanto esses servidores foram unicamente os instrumentos, os gatos que emprestaram suas mãos para que os poderosos pudessem colher as castanhas. Basta que se verifique a quem os tais "Atos Secretos" beneficiaram: os parentes, compadres e apaniguados dos Senadores, inclusive de seu valente defensor.

Em qualquer país medianamente sério isso seria suficiente para derrubar as paredes do Senado e passar uma motoniveladora por cima.

Mas aqui não! Todo dia surge um novo escândalo envolvendo o Senado: é a gráfica que gasta rios de dinheiro com publicações inúteis e superfaturamento de insumos; é a existência de mais de 150 Diretores no Senado (tem até Diretor de Garagem!); é o "Senadinho", típica instituição carioca, que tem gabinetes, veículos, motoristas e até algumas moças do café, apenas para atender Suas Excelências quando em visita à Cidade Maravilhosa...

E, de impunidade em impunidade, lá se vai nosso rico dinheirinho, em troca de uma produção zero!

O presidente Sarney pediu que a imprensa abandonasse a demominação "Atos Secretos", pois isso contribuiria para "desmoralizar" o Senado, como se houvesse um pingo de decência a ser preservado.

Mas acho justo o pedido do Presidente e sugiro que passemos a denominá-los "Atos Espúrios", "Atos Desavergonhados" ou mesmo "Atos Criminosos".  Essas denominações seriam muito mais adequadas à imoralidade.

Volto a qualquer momento, em edição extraordinária.

 



Escrito por Paulo às 12h47
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Cadê a minha quota?

Nos últimos tempos, graças ao ideal de correção política, ganhou corpo o desejo de acertar os erros e injustiças do passado fazendo concessões especiais para aqueles que foram injustiçados. Assim, desenvolveu-se a idéia de que seria necessário garantir quotas de vagas nas universidades a serem preenchidas por negros.

No Brasil sabemos que os negros, assim como os índios, os homossexuais, os anões, os obesos, os anciãos, os sem-teto, sem-terra - ufa! a lista seria imensa! - todos são ou foram discriminados de alguma forma pela sociedade e sofrem ou sofreram algum tipo de prejuízo pelo tratamento injusto a que foram submetidos.

Logo, parece à primeira vista, ser da maior justiça que se crie quotas especiais para beneficiar essas minorias e consertar os erros do passado.

No entanto, quanto às vagas para negros, parece-me que, ao invés de eliminar o preconceito, estas tendem a ampliá-lo, ainda que às avessas: quem deve ser considerado negro para os efeitos da medida? Evidentemente, todos os que tiverem a pele negra estariam dispensados de fazer outra prova.

Mas e os mulatos (perdão pela denominação discriminatória criada pelos portugueses, equiparando os mestiços a mulas)? Quanto de sangue negro (perdão novamente pela terminologia inadequada) o cidadão deve ter para ser considerado negro, na acepção jurídica dessa política?

Seria necessário 1/2, 1/4, 1/8 ou 1/16 avos de ascendência negra? Em que momento da ascendência deixaria de ser considerado negro?

Que dizer dos brancos que têm um ancestral negro, coisa não muito difícil de acontecer em nosso país? Dentro em breve, ao invés de esconder ou disfarçar a ascendência negra, como até hoje aconteceu, os alunos vão cavoucar e escarafunchar suas origens, pois um bisavô mulato já seria título suficiente para conseguir a tão almejada vaga na faculdade sem nenhum esforço intelectual.

Ocorre-me ainda outra dúvida: e se a última vaga da quota estiver sendo disputada por dois negros de terceira geração? Quem ganharia o lugar? Aquele que demonstrasse ser "mais negro que o outro"? Seria uma espécie de propaganda de sabão em pó ao contrário...

Porque não estender essa idéia criando quotas para índios, caboclos, cafusos, mamelucos, sararás e que tais? Ou esses também não são merecedores da benesse da sociedade que pretende ser politicamente correta? Nessa hora, sugiro ainda uma quota (menor) para anões (desculpem a inevitável piada, ainda que possa ser considerada de extremo mau gosto) e uma para os "obsoletos", com mais de 50 anos de idade. Afinal, sempre é tempo para ingressar ou retornar aos bancos escolares.

Por hoje é só. Voltaremos ao tema em outra oportunidade.

 



Escrito por Paulo às 17h40
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