Barrados no baile
Os homens e mulheres com mais de 50 anos estão sendo barrados no mercado, sob a alegação de que são obsoletos. No entanto, é nesse momento que eles alcançam o auge de suas capacidades intelectuais e mais poderiam contribuir para o atingimento dos objetivos de empresas, associações, empreendimentos culturais e artísticos, entre outros. O mercado, sob pressão dos mais jovens que desejam, compreensivelmente, seu lugar ao sol, acaba por decretar a obsolescência dos mais experientes e a aposentadoria precoce de um grande número de pessoas capazes e entusiasmadas. Após um longo período de formação escolar levamos vinte, trinta anos trabalhando em nossas especialidades, acumulando experiências, abrindo janelas e consolidando vivência para, ao chegar aos 50 (às vezes aos 40) sermos expelidos do mercado de trabalho, sob a alegação de que somos velhos demais. Pior de tudo é que aqueles que nos declaram obsoletos são os mesmos que daqui a cinco ou dez anos estarão provando do próprio remédio, como que atirando no próprio pé. Na história recente são inúmeros os exemplos de pessoas que produziram mais e melhor depois dos 50 anos de idade, o que justifica plenamente esse desabafo. Nada é mais odioso do que a discriminação e o Estatuto do Idoso veio para coibir esse tipo de violência contra nós. Mas a sociedade entende que a forma de "integrar" os idosos é encontrar saídas para sua ociosidade, promovendo insuportáveis bailinhos ou campeonatos de tranca, quando o que essas pessoas querem é trabalhar, especialmente em um país como o nosso, em que as aposentadorias não garantem um mínimo de condições para uma velhice digna. Por hoje é só, mas voltaremos ao tema.
Escrito por Paulo às 14h54
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