Blog dos Obsoletos (+de50)


Esperteza

Enquanto um grande número de pessoas com mais de 50 anos é relegada ao ostracismo pelo mercado, que as considera obsoletas e ultrapassadas, alguns escritórios, principalmente de despachantes ou de administração de imóveis de São Paulo, vêm contratando homens sem qualquer qualificação profissional, mas com mais de 60 anos de idade para trabalharem como office-boys (ou office-seniors?).

À primeira vista, uma grande ajuda para esses homens sem formação profissional, que sobrevivem, na maior parte dos casos, de minguadas aposentadorias. Muitos complementam seus proventos ganhando mais um salário mínimo por mês nessas atividades.

Espírito humanitário?  Excesso de generosidade? Consciência social?

Infelizmente, não! O que move esses empresários é unicamente a esperteza pelo fato de saberem que podem explorar à vontade esse contingente de anciãos, que não teria outra chance além dessa de ganhar mais uns trocados.

Ocorre que os maiores de 60 anos têm dois privilégios exclusivos, que são a isenção do pagamento de passagens de ônibus e também o de gozarem do benefício de um atendimento preferencial nos bancos.

Assim, esses empresários economizam no custo do transporte e agilizam os pagamentos, explorando os mais velhos, esquecendo-se que esses privilégios não foram criados com essa finalidade.

Quando um office-boy de um escritório usa os ônibus sem pagar a passagem é o escritório que está onerando o patrimônio público. E se entra na fila de idosos para pagar uma montanha de contas que não têm relação com a sua idade somos todos nós, os otários, que estamos sendo burlados, enganados e passados para trás em benefício dos espertos.

Isso é Brasil, terra dos mais espertos.

 



Escrito por Paulo às 14h10
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Barrados no baile

Os homens e mulheres com mais de 50 anos estão sendo barrados no mercado, sob a alegação de que são obsoletos.

No entanto, é nesse momento que eles alcançam o auge de suas capacidades intelectuais e mais poderiam contribuir para o atingimento dos objetivos de empresas, associações, empreendimentos culturais e artísticos, entre outros.

O mercado, sob pressão dos mais jovens que desejam, compreensivelmente, seu lugar ao sol, acaba por decretar a obsolescência dos mais experientes e a aposentadoria precoce de um grande número de pessoas capazes e entusiasmadas.

Após um longo período de formação escolar levamos vinte, trinta anos trabalhando em nossas especialidades, acumulando experiências, abrindo janelas e consolidando vivência para, ao chegar aos 50 (às vezes aos 40) sermos expelidos do mercado de trabalho, sob a alegação de que somos velhos demais.

Pior de tudo é que aqueles que nos declaram obsoletos são os mesmos que daqui a cinco ou dez anos estarão provando do próprio remédio, como que atirando no próprio pé.

Na história recente são inúmeros os exemplos de pessoas que produziram mais e melhor depois dos 50 anos de idade, o que justifica plenamente esse desabafo.

Nada é mais odioso do que a discriminação e o Estatuto do Idoso veio para coibir esse tipo de violência contra nós.

Mas a sociedade entende que a forma de "integrar" os idosos é encontrar saídas para sua ociosidade, promovendo insuportáveis bailinhos ou campeonatos de tranca, quando o que essas pessoas querem é trabalhar, especialmente em um país como o nosso, em que as aposentadorias não garantem um mínimo de condições para uma velhice digna.

Por hoje é só, mas voltaremos ao tema. 



Escrito por Paulo às 14h54
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