Blog dos Obsoletos (+de50)


Campeões de audiência

As redes Globo e Record estão lavando roupa suja em público, no horário "nobre" da televisão.

A Globo divulgou um resumo das acusações feitas pelo Ministério Público sobre as práticas negociais da Igreja Universal do Reino de Deus, denunciando a formação de quadrilha, o desvio e a lavagem de dinheiro, além de exploração da credulidade pública com seus "shows de fé" e de "milagres".

A Record revidou com acusações sobre o affair Time-Life, de quase cinquenta anos atrás, o caso Proconsult na apuração dos votos para o governo do Rio de Janeiro, na primeira gestão Brizola (coisa de trinta anos atrás) e ainda, pelo descaso da Globo na cobertura do movimento "Diretas Já!", do final dos anos oitenta (trinta e poucos anos).

Que o assim denominado e auto-sagrado "Bispo" Edir Macedo não é flor que se cheire, todos sabemos. O lava jato da fé por ele montado serve para a exploração das camadas mais humildes da população, vendendo salvação e pretensos milagres e para a arrecadação, segundo o MP de coisa da ordem de R$ 8 bilhões nesses anos de dedicado trabalho "espiritual".

Mexer com a fé dá nisso: não há necessidade de cursos nem diplomas; a montagem inicial dos templos é barata; não há fiscalização da qualidade dos produtos; não se exige comprovação de resultados nem prazos de validade; e o consumidor não pode se valer do Procon ou de qualquer outro órgão fiscalizador. O Direito do Consumidor não pode ser invocado pelos iludidos.

Além disso as contribuições são feitas em dinheiro vivo, sem recibo nem nada dessas coisas complicadas que a lei exige para qualquer outra atividade e as igrejas são isentas do pagamento de tributos pela Constituição, o que garante um usufruto total da arrecadação por aquele que detenha as chaves do cofre.

A IURD, a exemplo de outras igrejas, especialmente as televisivas, também opera um sistema de franquia para a montagem de novos templos e multiplicação de seu alcance e vem formando uma bancada de deputados estaduais, federais e senadores, a fim de realmente partir para a conquista do poder. Em nome de Jesus!

Não é à toa que vimos assistindo a uma verdadeira multiplicação de cultos pelo país. Antigamente eram apenas Pastores: agora são Bispos, Bispas, Profetas e Apóstolos, todos com suas mensagens maniqueístas, atribuindo ao demônio tudo o que de mal acontece aos homens e vendendo a imagem da salvação eterna mediante o pagamento de dízimos e oferendas. E todas elas transformando seus altares em verdadeiros terrenos de vodu, exorcizando demônios e coroando os cultos com palavras cabalísticas inventadas a partir de uma tendenciosa e ridícula interpretação de um trecho da Bíblia (Pentecostes).

Não pretendo dizer que a Rede Globo seja totalmente inocente das acusações alinhavadas pela Record, mas o sabor requentado de assuntos tão antigos indica que a Globo acertou nos calos da rival.

A nós, telespectadores, resta o consolo do controle remoto. ZAP neles!

Volto ao assunto mais tarde.

 



Escrito por Paulo às 11h51
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Homens e Cavalos

Estou olhando um quadro de cavalos que se encontra na parede meu escritório e me veio à mente a curiosa interação entre homens e cavalos desde a antiguidade. Na Grécia as lendas falavam da existência de seres mitológicos, os centauros, com corpo de cavalo e torso e cabeça de homens e ainda, de um fantástico cavalo alado, o Pégaso, domado pelo herói Belerofonte.

Ainda na História Antiga a queda de Tróia deveu-se a um estratagema dos espartanos, abandonando no campo de batalha um grande cavalo de madeira recheado de guerreiros. Estes teriam aberto as portas da cidade assim que o troféu de guerra foi levado para dentro dos muros da fortaleza.

Os índios americanos tinham uma relação quase afetiva com seus cavalos selvagens, os mustangs, que emprestaram o nome a um dos maiores sucessos de venda da Ford. Por falar em automóvel, cite-se ainda o inesquecível logotipo da Ferrari que representa um cavalo empinando.

Além de meio de transporte e de carga dos homens, os cavalos tiveram papéis de destaque nas guerras e nas conquistas da humanidade. Gengis Khan não teria conseguido dominar metade do mundo conhecido se não fossem os cavalos e cavaleiros mongóis, respeitados e temidos em seu tempo. O mesmo se diga de Alexandre da Macedônia.

Em Roma o Imperador Calígula teria nomeado seu cavalo Incitatus para o Senado, não sei se para demonstrar desprezo pelo Senado ou para enaltecer a figura do cavalo.

Os conquistadores espanhóis do Novo Mundo tiveram sua ação grandemente facilitada pelo fato de se apresentarem montados em cavalos, animal desconhecido na América do Sul e eram vistos como deuses em suas armaduram brilhantes e montados naqueles animais magníficos e musculosos.

No épico espanhol "Don Quixote de La Mancha" o cavalo do herói, Rocinante é um mero pangaré, mas aos olhos do ensandecido Cavaleiro da Triste Figura seria um corcel maravilhoso, digno de suas conquistas.

Nos gibis de minha infância muitos foram os cavalos que ficaram famosos: há um que era fantástico, pois o mocinho se chamava Doutor Robledo, um médico insignificante que montava um cavalo esquálido denominado Molenga. Quando surgia algum perigo que justificasse a intervenção do herói ele vestia uma roupa preta com máscara, uma cartucheira com dois revólveres e se transformava no Cavaleiro Negro. Curiosamente, o cavalo sacudia a crina, se empertigava e também se transformava num verdadeiro puro sangue, chamado Tufão. Grande ator esse cavalo!

No cinema foram muitos os cavalos que pontilharam minha infância, desde o inesquecível Triger, do Roy Rogers, até o não menos inesquecível Silver (aiôôôu, Silver!), do Zorro, que fazia par com o Escoteiro, cavalo de seu companheiro, Tonto. E não se pode falar de heróis e seus cavalos sem lembrar o Herói, do Fantasma, sempre trotando lado a lado com o lobo Capeto.

São muitos os cavalos inesquecíveis, porém me ocorre uma dúvida que nunca consegui responder: qual era mesmo a cor do cavalo branco de Napoleão? Ou seria uma égua?

É só por hoje.



Escrito por Paulo às 12h09
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Lei antifumo - (Fumo sim, e daí?)

O Governador Serra saiu recentemente de um merecido ostracismo em companhia de seu médico televisivo e amparado por uma veradeira milícia chiita, para vir a público com uma legislação antifumo que vem criando celeuma e exacerbados debates, principalmente na Capital.

O problema maior é que a lei não se limita a impor regras de convivência e a dividir espaços entre fumantes e não fumantes, mas foi editada com o fervor místico digno de um Antonio Conselheiro para impor o que eles consideram que é bom e o que não é bom para a sociedade. A lei quer acabar com o fumo, acabando com os fumantes e enaltece a prática da delação pretendendo tornar-nos todos fiscais compulsórios da lei.

O próximo passo deverá ser a exorcização dos Espíritos do Mal que regem o fumo e determinar, a exemplo dos pastores da televisão: eu te ordeno, ó maligno, que deixeis o corpo deste fumante, em nome de Jesus!

A lei federal 9294/96, no entanto, já havia pontificado sobre o tema estabelecendo uma democrática divisão de espaços entre fumantes, não fumantes e os que não estão nem aí com o fato.

A lei 9294/96 estabelece que não se pode fumar em recintos coletivos, públicos ou privados, mas ressalva: salvo nos locais especialmente destinados a essa finalidade. Ora, partindo do fato de que a lei nunca contém palavras inúteis, isto equivale a dizer que nos recintos coletivos públicos ou privados deve, ou pelo menos pode haver "locais especialmente destinados a essa finalidade".

Basta um pequeno compressor criando uma cortina de ar sob pressão para dividir até mesmo o compartimento de um avião, de forma a não ferir as sensibilidades de quem não fuma e garantindo-se o direito de quem é dependente físico, químico, psicológico e precisa da ingestão contínua e dosada desse veneno social. Afirmar que fumantes e não fumantes não podem dividir o mesmo espaço é mera balela, fruto, provavelmente, de uma síndrome de abstinência de ex-fumantes. 

Lembrem-se que ninguém fuma porque quer, mas sim, por que precisa. Somos viciados, dependentes, e essa dependência nos foi imposta com a participação, incentivo e beneplácito do Estado que permitiu que o vício se disseminasse livremente, de olho na receita tributária escorchante de mais de setenta e sete por cento do preço de cada maço.

Mas o governo de São Paulo não quer impor uma divisão de espaços: ele pretende primeiramente escorraçar da sociedade os fumantes; num segundo momento, talvez tenhamos que andar com um cajado com um sininho na ponta, como os leprosos medievais ou, quem sabe, teremos que costurar uma estrela no paletó para nos identificarmos.

Dizem os criadores dessa lei que ninguém está proibindo o fumo. Mas na verdade estão, pois criam tais limitações ao fumante, que equivalem a tornar o fumo atividade ilícita, o que é inconstitucional, já que a prerrogativa e competência para legislar sobre o tema é da União.

Se essa política burra fosse aplicada à AIDS ou DSTS, por certo iam rolar cabeças.

O fervor chiita do Governador (que não fuma mais, lógico!) pode ser constatado pelo aparato fiscalizatório que foi montado a peso de ouro com o dinheiro público (inclusive dos fumantes, que trabalham, pagam impostos e votam!) com objetivo meramente arrecadatório.

O fato mesmo é que a lei estadual é em muitos pontos inconstitucional, já que interfere na liberdade dos cidadãos, que não podem ser impedidos de fumar pelo fato de que a venda, comércio e consumo de cigarros são atividades lícitas em nossa sociedade. Além disso, a lei estadual não tem o condão de revogar a lei federal, em pleno vigor. E essa lei (9294/96), repetimos: não proíbe o fumo, mas sim, limita os espaços onde esse possa ser exercido.

Por outro lado, o Estado não pode impor ao comerciante o ônus de fiscalizar o cumprimento da lei, sob pena de ele mesmo responder pela sanção econômica. Comerciante não é fiscal do Estado. Nem pode ser punido por atos de terceiros a que não tenha dado causa.

E há mais: a lei admite (que generosidade!) o fumo em residências dos fumantes. E como fica uma festa de casamento realizada em um buffet alugado integralmente pelos noivos? Ou uma festa particular realizada no saláo de festas do condomínio? Trata-se de extensões da residência do locador e não há de ser o Estado que poderá impedir o consumo de cigarros (que são produzidos e vendidos licitamente, repita-se!).

Advirta-se ainda com o fato de que um fumante que se veja compelido a consumir 40 cigarros por dia precisa da ingestão dosada de 4 cigarros por hora. E se se tratar de um médico (sim, muitos deles fumam!) terá que abandonar a profissão por falta de um fumódromo em seu ambiente de trabalho? Ou um advogado trabalhando no Foro? O fumódromo ("local especialmente destinado a essa finalidade") não é uma benesse do Poder nem pode ser entendido como fruto da generosidade do poderoso de plantão.

Entendo que a ausência de "locais especialmente destinado a essa finalidade" representa séria ofensa ao direito de ir e vir garantido pela Constituição Federal e desafia a impetração de habeas corpus.

O assunto se encontra sub judice e esperamos que vença o bom senso, a despeito da maioria dos juízes não ser fumante, o que, no entanto, não deve comprometer suas considerações, já que sua decisão será estritamente jurídica.

Se isso não acontecer, resta a nós instalarmos um bafômetro na boca das urnas e só darmos nosso voto a quem nos respeita como cidadãos que somos.

O assunto está em aberto e volto a ele.



Escrito por Paulo às 11h55
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Amarcord.

Outro dia me lembrei de minha juventude, quando costumava acampar na Curva do Sargento para assistir as "24 Horas de Interlagos".

Já não sou jovem, não acampo mais para assistir corridas, a Curva do Sargento foi aterrada e nem me lembro quando foi disputada a última edição das "24 Horas". E o Autódromo de Interlagos, que era uma pista quase perfeita, tanto para pilotos como para o público, transformou-se num circuito burocrático para atender aos interesses da televisão e da FIA.

O circuito antigo, com sete quilômetros e meio (hoje tem quatro) era um desafio para os pilotos, com uma grande variedade de dificuldades e com uma singularidade em relação às outras pistas em todo o mundo: de qualquer lugar que o público estivesse, a visibilidade seria de quase oitenta por cento das retas e curvas.

Da arquibancada principal, na linha de chegada, enxergava-se a Curva Um, o Retão inteiro, a Junção, a Ferradura, todo o percurso até a Subida do Lago e o início da Reta Oposta e esta inteira, só perdendo visibilidade para a Curva do Laranja. Depois se avistava a saída do Sargento, a Curva do Sol, a Curva do S, Pinheirinho e Bico de Pato e o início do Mergulho. Via-se também a metade final da Subida e toda a Reta do Box. 

Eu costumava acampar na Curva do Sargento, onde só não tinha visibilidade da Junção até a Curva Um. No entanto, enxergava-se claramente todo o miolo da pista.

Lembro-me de grandes "pegas" entre o Catarino Andreatta e Camilo Cristóforo, chamado "O Lobo do Canindé", com suas carreteras envenenadíssimas e montadas sobre chassis de velhos Fords e Chevrolets. Não havia cintos de segurança e nem se falava em "cock pits" e lembro-se que o capacete do velho Catarino (tive um igual) era como que um boné de fibra e o restante da proteção da nuca, ouvidos e queixo era apenas de couro.

Pelo Retão de minha memória passam voando Bird Clemente e Luiz Pereira Bueno, da Equipe Willys; os Irmãos Émerson e Wilson Fittipaldi e seus Porsches número setenta e sete; Emílio Zambello, sempre levando bronca de Piero Gancia, proprietário das Alfas, por tentar tirar dos carros mais do que eles podiam dar...

Era uma época romântica e o amadorismo dava a tônica dessas corridas, com pilotos aficcionados, que preparavam suas baratas durante a semana, não raro em suas próprias oficinas, para poder correr no domingo em busca apenas da satisfação pessoal e um lugar no pódio.

Tudo isso me veio à mente enquanto assistia "Amarcord", de Federico Fellini. O título é tirado do dialeto napolitano que, em italiano significa "io mi ricordo". O título do presente é uma homenagem ao filme e uma afirmação de que "anch'io mi ricordo".



Escrito por Paulo às 14h43
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A alma do negócio

O telespectador brasileiro é um consumidor de anúncios, não por que queira, mas pelo fato de que nenhuma das estações de televisão cumpre a lei e exibe muito mais propaganda do que deveria.

Entendo que, apesar de tudo, somos obrigados a tolerar os espaços publicitários na TV aberta, pois é deles que sai o patrocínio dos programas. Mas e na TV a cabo que é paga, custa caro e ainda nos enche de anúncios e irritantes infomerciais que parecem feitos para débeis mentais? Por que pagamos para receber um sinal que nos é cobrado uma segunda vez?

Mas, quanto à propaganda, além de encher nossa paciência também apresenta "pérolas" de mau gosto e de raciocínio ilógico.

A Folha de São Paulo, por exemplo, ganha de longe o primeiro prêmio na categoria "Ai meu saco!". Primeiro com aquela tentativa - malfadada - de transformar o jornal de domingo no Folhão, pois o apelido (tirado do Estadão) se constrói com anos de dedicação ao leitor e não com um irritante martelar de uma agência de propaganda.

Depois foi aquele rato horroroso a repetir o telefone (qual era mesmo?) dos classificados. E agora tem um anúncio que, além de improdutivo é ruim pra cachorro: aquele da mosca que pousou na minha sopa (xô, dona mosca!). Mudo de canal toda vez que aparece.

E vejam que a Folha já usou anúncios memoráveis, como aquele que citava trechos de um discurso nacionalista, com a imagem se tornando cada vez mais nítida até percebermos que se tratava de um discurso de Adolf Hitler (Aplausos!).

O que houve? Mudaram de agência? Deu branco nos publicitários? Ou é o responsável pela aprovação das peças que é fraco?

Mas não fica nisso. O Ford Fusion tem um anúncio no ar que mostra duas alternativas para uma mesma proposta (Onde voce pretende estar daqui a cinco anos?). O final é engraçado pela comparação dos planos de cada um. Só que a assinatura diz mais ou menos isso: "quem dirige um Ford Fusion fez por merecer".

A frase final não tem nada a ver com a imagem apresentada. No caso do rapaz, tudo bem, ele se apresenta vitorioso, dirigindo o seu carro. No caso da moça quem está dirigindo é o rapaz (como mero motorista) e a vitoriosa é ela.

Coerência e adequação, gente!

Já o remédio Claritin mostra mãe e filha no sótão de sua casa (sótão? no Brasil? onde?) abrindo um baú que contém um vestido de noiva. Imagina-se que seja do casamento da mãe, mas não está mofado nem amarelado, está pronto para usar. Milagres da televisão.

Sugiro que os telespectadores usem o controle remoto para punir quem abusa de nossa paciência e faz pouco de nossa inteligência. ZAP neles, gente!

 



Escrito por Paulo às 17h56
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Desafiando o perigo.

Antes de mais nada, antecipando-me aos mais apressadinhos, quero reafirmar minha consternação pelo acidente sofrido pelo piloto Felipe Massa e somar meus fluidos positivos, seja lá o que isso possa significar, aos de todos os brasileiros, torcendo por sua pronta e completa recuperação.

No entanto, não poderia deixar de observar que o perigo é uma constante na vida dos pilotos, que são pagos - e muito bem pagos - para desafiar a probabilidade da ocorrência desses sinistros. É uma opção de vida que não é imposta a ninguém e que é assumida por existir uma relação custo/benefício que interessa a essas pessoas.

O público que frequenta os autódromos e aqueles que grudam na televisão domingo sim, domingo não, por sua vez, só o fazem para ver os pilotos correrem riscos e quanto maiores, mais admirados. É uma verdadeira catarse nacional, que nos transforma por poucas horas em Massas, Sennas, Piquets ou Fittipaldis sem que tenhamos de nos arriscar.

O público vibra com as ultrapassagens perigosas, com os inevitáveis choques entre os bólidos e - porque não? - com os acidentes previsíveis que ocorrem de tempos em tempos. Se as corridas não contivessem em si o germe da possibilidade de acidentes cada vez mais severos o interesse do público iria minguar, a audiência diminuiria gradativamente e os elevados patrocínios e salários deixariam de existir.

Imaginem uma corrida de Fórmula I em que as baratas não pudessem ultrapassar os cem quilômetros por hora. Tanto pilotos quanto o público morreriam de tédio!

Por essa razão sou obrigado a contestar aqueles que falam da "fatalidade" de acidentes como o de Ayrton Senna e agora de Felipe Massa, usando essa expressão como sinônima de imprevisibilidade. E esses acidentes, que se repetem com insistente regularidade não vão impedir que outros mais, cada vez mais sérios continuem acontecendo no futuro, nem que seja pelo simples desejo de superação pessoal dos pilotos.

Há alguns anos dois alpinistas brasileiros resolveram desafiar a escalada do Aconcágua pela face mais difícil e perigosa e acabaram perdendo a vida na infeliz tentativa. Não acho, no entanto, que devamos chorar por eles, pois eles procuraram  desafiar expontaneamente os limites de suas possibilidades físicas e encontraram o que buscavam ansiosamente, pagando o preço que sua aventura lhes impunha.

Ninguém é obrigado a ser piloto, ou alpinista. A ninguém é imposto navegar sozinho até a Antártida ou megulhar no meio de tubarões. E quem realiza essas proezas ou maluquices está disposto a pagar o preço de sua ousadia, seja por mero capricho pessoal ou em busca do pote de ouro que se encontra no final desse arco-íris de riscos e perigos.

Dito isso, reitero minha esperança de que Felipe Massa se recupere totalmente, mas não posso deixar de constatar que ele encontrou o que sempre buscou.

Perdão pela dura e amarga sinceridade.

 

 



Escrito por Paulo às 16h30
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Estupra, mas não mata?

O mar não está mesmo pra peixe lá pros lados do Senador José Sarney.

Mesmo depois da "matemágica" que reduziu de 664 para "apenas" 553 os assim chamados "atos secretos" do Senado não param de aparecer provas e evidências da participação de nosso ex-Presidente em toda a maracutaia: distribuição de cargos para a parentela e apaniguados, aumentos ilegais de salários e mordomias, ocupação de imóveis funcionais por pessoas não qualificadas... ufa! a lista de desmandos é incrível!

Aí vem o Presidente Lula, em defesa do Sarney,  no afã de manter o frágil e instável liame que une as forças que o apóiam e diz que a Opinião Pública deve ser menos severa com a safadeza, pois uma coisa é um crime sério de desvio de dinheiro público, outra coisa é o "mero" lobby (tráfico de influência) ou um "simples" telefonema pedindo um favor para um amigo ou parente.

Parece que o Maluf anda fazendo escola, pois quando se trata de defender os amigos ou aliados de ocasião, se não matar pode estuprar que é mera contravenção.

Êta, Brasil! Se fosse um país medianamente sério já teriam rolado muitas cabeças.

É so por hoje, mas ficaremos antenados com os desdobramentos do caso.



Escrito por Paulo às 10h41
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Cadê a minha quota? - II

Era brincadeira, gente! Quando reclamei das quotas para os obsoletos (23.06) eu simplesmente fazia ironia com a mania nacional de resgatar as injustiças do passado criando novos injustiças no presente.

Não creio que quotas possam representar uma solução para o problema dos preteridos, mesmo que a preterição seja por puro preconceito.

Retorno ao tema, pois acaba de ser aprovada, em 16 de julho, pela Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal mais uma lei que pretende aquinhoar os maiores de 50 anos com 5% das quotas destinadas aos cargos públicos em concurso. Agora a matéria deverá ser submetida à Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Ocorre que a política de quotas é odiosa e resulta apenas em mais preconceito, gera rancores entre classes, categorias ou espécias de indivíduos e acaba não resolvendo o problema. É mais ou menos como tampar um buraco com a terra do buraco ao lado.

Bastaria que levássemos a sério o ditame constitucional de que "todos são iguais perante a lei". Ou, como pontificou Ruy Barbosa, "a igualdade consiste em aquinhoar os desiguais desigualmente, na proporção de sua desigualdade". E a desigualdade, no caso dos exames vestibulares, há que ser a capacidade e não a cor da pele, assim como no serviço público, as provas e títulos apresentados pelo candidato, independentemente de sua idade.

É sabido, no entanto, que no serviço público muitos candidatos que são bem sucedidos nas provas, acabam sendo barrados nos exames orais ou nas entrevistas finais apenas pelo odioso critério da idade. Para solucionar ou minimizar o fato, bastaria que os examinadores ou entrevistadores fossem obrigados a apresentar avaliações objetivas dos candidatos, ao invés de lançar mão de critérios subjetivos. E que se concedesse aos candidatos o direito de se manifestarem a respeito das avaliações da banca examinadora, com o competente recurso.

Pelo amor de Deus, menos quotas e mais criatividade, senhores legisladores!

Volto ao assunto a qualquer momento em edição extraordinária.

 



Escrito por Paulo às 12h28
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Sobre nomes.

Nos anos 40 e 50 o cinema se incumbiu de criar uma legião de fãs da menina prodígio Shirley Temple. Todas as mães queriam que suas filhas tivessem cachinhos e soubessem cantar, representar e sapatear como a estrela-mirim.

Assim, nasceu um batalhão de Sirleis (com a tônica recaindo na segunda sílaba). Depois vieram as Sirlenes, Cirlenes, Sirlênias e quantas outras corruptelas se possa imaginar para o nome.

Pouco depois surgiu o Padre Donizetti Tavares de Lima, que diziam fazer milagres em Tambaú. Seu nome homenageava um famoso compositor de música clássica, assim como aconteceu com seu sobrinho, Chopin Tavares de Lima, que veio a ser deputado federal por São Paulo.

Para homenagear o padre, ou para cumprir promessa, surgiram milhares de Donizetes, Donisetes ou Donizetis por esse Brasil e nunca mais se falou no compositor. A grande maioria dos Donizetes não tem a menor idéia da origem de seu nome, conseguindo chegar, no máximo, até o pároco pretensamente milagreiro.

Nos últimos 30 anos despontou o Rei do Pop, Michael Jackson, que veio a originar uma multidão de Maicons e Maicon Jecas em todo o território nacional.

Nào nos esqueçamos de Lady Diana Spencer, que criou uma infinidade de Leides, Leidedais, Daianes e Dayannys em nosso país.

Esses fenômenos não são novos. A vontade de reproduzir nomes famosos aliada ao analfabetismo endêmico em nosso país vem criando há muito tempo mostrengos como Washtons, Magaiveres e até mesmo um jogador de futebol que ostenta o nome de Alandelon.

No futebol, aliás, terreno propício a esse tipo de ocorrência, já que a maioria dos jogadores vem das camadas menos favorecidas da população encontra-se nomes como Ibson, Madson, Keirrison e Richarlyson, podendo-se dizer, contudo, sem medo de errar, que não há um Ib, Mad, Keirri ou Richarly Seniors que justifiquem a terminação "son" dos nomes de seus filhos.

Até o ex-presidente Sarney ganhou esse apelido pois era filho do Ribamar, que trabalhava na fazenda do Sir Ney. Foi assim que o José Ribamar passou a ser identificado como "o do Sir Ney", devidamente abrasileirado e incorporado, para diferenciar dos muitos José Ribamares do Maranhão.

Coisas de Brasil, que só tem esse nome por causa da madeira avermelhada que parece uma brasa acesa.



Escrito por Paulo às 15h53
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Obrigado, Maicon!

O showbizz está de luto, como de resto, todos nós.

Michael Jackson está morto, após uma vida curta, produtiva e extremamente conturbada. Em seus 50 anos ele flertou igualmente com a genialidade e com o escândalo.

Na música, foi gênio desde criança, nos tempos do Jackson Five, com uma voz cristalina e afinadíssima. Depois, em carreira solo brilhou tanto no canto como na dança, brindando-nos com albuns como Thriller, Bad e outros e inovando com passos desconcertantes, como o moonwalk e seus clips vão ficar como exemplo de genialidade artística para sempre.

Infelizmente ele não repetiu na vida privada a qualidade dedicada às artes e passou para o mundo todo a imagem do menino que não queria ser negro (bobagem, pois era um negro bonito e simpático) e que tentou a todo custo se tornar parecido com Diana Ross. Deixou ainda intrigantes acusações de pedofilia, nunca provadas e muitas delas encerradas mediantes polpudos acordos extra judiciais que ajudaram a dilapidar seu patrimônio.

O menino que não queria ser negro também não queria crescer e fez de sua Neverland o refúgio de seus temores e esquisitices mas, reconheça-se , foi inegavelmente um astro de primeira grandeza, que vai deixar saudades.

No Brasil, há uma legião de Maicons e Maicon Jecas que vai chorar mais do que nós a perda de seu paradigma.

Obrigado, Michael Jackson! Obrigado por ter existido.

Por hoje é só.

 

 

 



Escrito por Paulo às 14h06
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Por debaixo do pano

Estamos, mais uma vez, estarrecidos!

Já devíamos estar acostumados, com a capacidade de nos indignarmos amortecida pelos inúmeros desmandos e pilantragens que pontilham a política nacional.

Mas nossa consciência não nos deixa ficar calados e nos anima a acreditar que um dia as coisas poderão ser diferentes.

Por eses dias veio à tona o conhecimento da existência de 663  "Atos Secretos" do Senado (placar ainda sujeito a acréscimos) que vêm sendo editados por debaixo do pano há pelo menos quinze anos, com o único objetivo de permitir que os políticos eleitos por nós pudessem meter a mão na grana da República, ou seja, na nossa grana! Como isso foi possível? como admitir que funcionários do primeiro escalão do Senado, aliados a Senadores da República pudessem executar a safadeza por tanto tempo? Difícil acreditar que não haja um só cidadão honesto que pudesse ter tido um momento de consciência ou de lucidez para comentar ou desvendar a pilantragem. Difícil imaginar que uma trama envolvendo tanta gente não tenha tido nem mesmo um Eriberto para colocar a claro a pilhagem...

O Presidente Sarney correu em defesa da "Instituição" que preside, dizendo que não é justo que se crucifique o Senado, mas sim, apenas alguns servidores.

No entanto esses servidores foram unicamente os instrumentos, os gatos que emprestaram suas mãos para que os poderosos pudessem colher as castanhas. Basta que se verifique a quem os tais "Atos Secretos" beneficiaram: os parentes, compadres e apaniguados dos Senadores, inclusive de seu valente defensor.

Em qualquer país medianamente sério isso seria suficiente para derrubar as paredes do Senado e passar uma motoniveladora por cima.

Mas aqui não! Todo dia surge um novo escândalo envolvendo o Senado: é a gráfica que gasta rios de dinheiro com publicações inúteis e superfaturamento de insumos; é a existência de mais de 150 Diretores no Senado (tem até Diretor de Garagem!); é o "Senadinho", típica instituição carioca, que tem gabinetes, veículos, motoristas e até algumas moças do café, apenas para atender Suas Excelências quando em visita à Cidade Maravilhosa...

E, de impunidade em impunidade, lá se vai nosso rico dinheirinho, em troca de uma produção zero!

O presidente Sarney pediu que a imprensa abandonasse a demominação "Atos Secretos", pois isso contribuiria para "desmoralizar" o Senado, como se houvesse um pingo de decência a ser preservado.

Mas acho justo o pedido do Presidente e sugiro que passemos a denominá-los "Atos Espúrios", "Atos Desavergonhados" ou mesmo "Atos Criminosos".  Essas denominações seriam muito mais adequadas à imoralidade.

Volto a qualquer momento, em edição extraordinária.

 



Escrito por Paulo às 12h47
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Cadê a minha quota?

Nos últimos tempos, graças ao ideal de correção política, ganhou corpo o desejo de acertar os erros e injustiças do passado fazendo concessões especiais para aqueles que foram injustiçados. Assim, desenvolveu-se a idéia de que seria necessário garantir quotas de vagas nas universidades a serem preenchidas por negros.

No Brasil sabemos que os negros, assim como os índios, os homossexuais, os anões, os obesos, os anciãos, os sem-teto, sem-terra - ufa! a lista seria imensa! - todos são ou foram discriminados de alguma forma pela sociedade e sofrem ou sofreram algum tipo de prejuízo pelo tratamento injusto a que foram submetidos.

Logo, parece à primeira vista, ser da maior justiça que se crie quotas especiais para beneficiar essas minorias e consertar os erros do passado.

No entanto, quanto às vagas para negros, parece-me que, ao invés de eliminar o preconceito, estas tendem a ampliá-lo, ainda que às avessas: quem deve ser considerado negro para os efeitos da medida? Evidentemente, todos os que tiverem a pele negra estariam dispensados de fazer outra prova.

Mas e os mulatos (perdão pela denominação discriminatória criada pelos portugueses, equiparando os mestiços a mulas)? Quanto de sangue negro (perdão novamente pela terminologia inadequada) o cidadão deve ter para ser considerado negro, na acepção jurídica dessa política?

Seria necessário 1/2, 1/4, 1/8 ou 1/16 avos de ascendência negra? Em que momento da ascendência deixaria de ser considerado negro?

Que dizer dos brancos que têm um ancestral negro, coisa não muito difícil de acontecer em nosso país? Dentro em breve, ao invés de esconder ou disfarçar a ascendência negra, como até hoje aconteceu, os alunos vão cavoucar e escarafunchar suas origens, pois um bisavô mulato já seria título suficiente para conseguir a tão almejada vaga na faculdade sem nenhum esforço intelectual.

Ocorre-me ainda outra dúvida: e se a última vaga da quota estiver sendo disputada por dois negros de terceira geração? Quem ganharia o lugar? Aquele que demonstrasse ser "mais negro que o outro"? Seria uma espécie de propaganda de sabão em pó ao contrário...

Porque não estender essa idéia criando quotas para índios, caboclos, cafusos, mamelucos, sararás e que tais? Ou esses também não são merecedores da benesse da sociedade que pretende ser politicamente correta? Nessa hora, sugiro ainda uma quota (menor) para anões (desculpem a inevitável piada, ainda que possa ser considerada de extremo mau gosto) e uma para os "obsoletos", com mais de 50 anos de idade. Afinal, sempre é tempo para ingressar ou retornar aos bancos escolares.

Por hoje é só. Voltaremos ao tema em outra oportunidade.

 



Escrito por Paulo às 17h40
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Esperteza

Enquanto um grande número de pessoas com mais de 50 anos é relegada ao ostracismo pelo mercado, que as considera obsoletas e ultrapassadas, alguns escritórios, principalmente de despachantes ou de administração de imóveis de São Paulo, vêm contratando homens sem qualquer qualificação profissional, mas com mais de 60 anos de idade para trabalharem como office-boys (ou office-seniors?).

À primeira vista, uma grande ajuda para esses homens sem formação profissional, que sobrevivem, na maior parte dos casos, de minguadas aposentadorias. Muitos complementam seus proventos ganhando mais um salário mínimo por mês nessas atividades.

Espírito humanitário?  Excesso de generosidade? Consciência social?

Infelizmente, não! O que move esses empresários é unicamente a esperteza pelo fato de saberem que podem explorar à vontade esse contingente de anciãos, que não teria outra chance além dessa de ganhar mais uns trocados.

Ocorre que os maiores de 60 anos têm dois privilégios exclusivos, que são a isenção do pagamento de passagens de ônibus e também o de gozarem do benefício de um atendimento preferencial nos bancos.

Assim, esses empresários economizam no custo do transporte e agilizam os pagamentos, explorando os mais velhos, esquecendo-se que esses privilégios não foram criados com essa finalidade.

Quando um office-boy de um escritório usa os ônibus sem pagar a passagem é o escritório que está onerando o patrimônio público. E se entra na fila de idosos para pagar uma montanha de contas que não têm relação com a sua idade somos todos nós, os otários, que estamos sendo burlados, enganados e passados para trás em benefício dos espertos.

Isso é Brasil, terra dos mais espertos.

 



Escrito por Paulo às 14h10
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Barrados no baile

Os homens e mulheres com mais de 50 anos estão sendo barrados no mercado, sob a alegação de que são obsoletos.

No entanto, é nesse momento que eles alcançam o auge de suas capacidades intelectuais e mais poderiam contribuir para o atingimento dos objetivos de empresas, associações, empreendimentos culturais e artísticos, entre outros.

O mercado, sob pressão dos mais jovens que desejam, compreensivelmente, seu lugar ao sol, acaba por decretar a obsolescência dos mais experientes e a aposentadoria precoce de um grande número de pessoas capazes e entusiasmadas.

Após um longo período de formação escolar levamos vinte, trinta anos trabalhando em nossas especialidades, acumulando experiências, abrindo janelas e consolidando vivência para, ao chegar aos 50 (às vezes aos 40) sermos expelidos do mercado de trabalho, sob a alegação de que somos velhos demais.

Pior de tudo é que aqueles que nos declaram obsoletos são os mesmos que daqui a cinco ou dez anos estarão provando do próprio remédio, como que atirando no próprio pé.

Na história recente são inúmeros os exemplos de pessoas que produziram mais e melhor depois dos 50 anos de idade, o que justifica plenamente esse desabafo.

Nada é mais odioso do que a discriminação e o Estatuto do Idoso veio para coibir esse tipo de violência contra nós.

Mas a sociedade entende que a forma de "integrar" os idosos é encontrar saídas para sua ociosidade, promovendo insuportáveis bailinhos ou campeonatos de tranca, quando o que essas pessoas querem é trabalhar, especialmente em um país como o nosso, em que as aposentadorias não garantem um mínimo de condições para uma velhice digna.

Por hoje é só, mas voltaremos ao tema. 



Escrito por Paulo às 14h54
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