Blog dos Obsoletos (+de50)


Testemunhos

Recentemente instalou-se uma grande celeuma a respeito dos testemunhos prestados por artistas e esportistas na publicidade de produtos.

Tudo começou com a cantora Sandy que declarou não gostar de cerveja, apesar de fazer um comercial para a marca Devassa. Independentemente da impertinência e inadequação daquela propaganda, já que sua imagem virginal não tem nada a ver com o nome Devassa, restou uma polêmica, pois ao ser cobrada pelo testemunho prestado ela se defendeu perguntando se os outros artistas usavam mesmo os produtos que anunciam. Foi como se alguém gritasse: "O Rei está nu!"

Imediatamente alguns desses artistas se lançaram em defesa dos produtos que lhes garantem gordos cachês e - mais uma vez - fingiram que os usam desde criancinhas. Foi comovente, quase chorei lágrimas de crocodilo em sinal de cumplicidade com eles.

No Direito, a prova testemunhal é considerada a "prostituta das provas", pois é a que mais se presta à mentira, ao engodo, quando não aos enganos, ainda que inocentes. Que dizer da publicidade, onde o depoente não está obrigado por lei a falar a verdade, toda a verdade, nada mais que a verdade...

Na publicidade todos sabemos que quem paga mais obtém qualquer tipo de declaração de amor a quase qualquer produto. Ou será que somos inocentes a ponto de achar que o Faustão anda mesmo com aqueles carrinhos chineses recém lançados no nosso mercado? Ou as atrizes e modelos usam mesmo os pós, cremes e perfumes que nos estimulam a usar sorrindo com languidez profissional? Será que as apresentadoras de programas diurnos femininos tomam mesmo aqueles cogumelos, os remédios milagrosos e outras gororobas enganadoras que entopem o mercado?

Sejamos sinceros: a Giselle Bundchen nunca vai usar roupas da C&A e só dá o seu nome para uma coleção daquela marca por causa do incentivo financeiro. A grife "Giselle" não tem nada a ver com sua pessoa.

Quem disser o contrário é mentiroso, hipócrita ou faz parte desse jogo de enganações, que tem por único objetivo tanger o rebanho de incautos em direção à caixa registradora das marcas patrocinadoras.

É óbvio que os artistas se dão ao luxo de recusar determinados produtos, mas é mais por esperteza do que por uma verdadeira consciência ética. É que certos produtos "queimam" a imagem dos apresentadores e podem refletir na ausência de novos convites para dar testemunho e sem convites o caixa definha.

Se você pretende comprar alguma coisa no mercado pesquise antes as características intrínsecas do produto ou serviço e nunca se deixe levar apenas por um olhar lânguido, uma voz adocicada ou um corpo sarado. Se o fizer e não receber os benefícios prometidos, vá depois reclamar com o Huck, com a Angélica, com o Faustão, com a Ana Maria...

Outra hora volto ao assunto.



Escrito por Paulo às 12h15
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Diversidade

Estava me lembrando da piada do inglês de meia idade que estava de malas prontas para se mudar da Inglaterra. Amigos indagaram o porquê daquela decisão e ele explicou: "Quando eu era menino o homossexualismo era crime na Grã-Bretanha; na minha mocidade foi considerado apenas uma doença ou um desvio de personalidade; quando cheguei à idade adulta passou a ser tolerado e admitido socialmente; nos últimos tempos vem sendo endeusado pela mídia como uma qualidade humana extraordinária; estou me mudando antes que se torne obrigatório!"

A piada não perdeu a atualidade.

Se um marciano chegasse à Terra e tomasse conhecimento de nosso mundo por meio dos programas, shows e noticiários da televisão, certamente concluiria que cerca de 80% dos habitantes do planeta são gays... São artistas, cabeleireiros, astrólogos, tarólogos, jogadores de búzios, costureiros, jornalistas, políticos, esportistas e anônimos que ganham seus quinze minutos de fama apenas por serem gays... Êta minoria barulhenta e colorida! E põe purpurina nisso! 

Recentemente, a título de educar as crianças a aceitarem a diversidade sexual, o Ministério da Educação(?) e Cultura(?) bolou uma cartilha cheia de boas intenções que não só orienta, mas também promove e incentiva os jovens a experimentar as delícias (?) do mundo gay, como se a usurpação desse adjetivo da língua inglesa fosse suficiente para tornar jovial e alegre o mundo dos homossexuais.

O kit-gay, como vem sendo chamado contém até quadrinhos e filmes explícitos, o que é, com o perdão da palavra, uma grande sacanagem praticada contra crianças em fase de formação moral e da estruturação da personalidade! Em um dos vídeos a questão do bissexualismo chega a ser apresentada como uma excepcional vantagem probabilística (sic)!

Tolerar os gays, aceitar a diversidade e respeitar a minoria que é diferente de nós que somos heteros é uma coisa, mas não somos obrigados a gostar das práticas homossexuais, nem precisamos aplaudir quem desmunheca! Sejamos honestos: nenhum pai deseja que seus filhos sejam gays, muito embora se disponham a amar os que manifestarem essa forma diferente de ser.

Respeito é bom, e a sociedade também o exige, especialmente daqueles que usam o dinheiro público para promover políticas de educação. Parece que o excesso de lantejoulas e purpurinas não está presente só na mídia. Os governantes também manifestam publicamente sua disposição de sair do armário.

Volto ao assunto quando for oportuno. 

 



Escrito por Paulo às 15h14
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




ECA!

Em 1990, há mais de vinte anos, o Brasil foi apresentado ao Estatuto da Criança e do Adolescente, um conjunto de leis cheio de boas intenções (como o inferno!) que visava proteger as crianças e garantir o respeito aos seus direitos frente à sociedade. Como a maioridade penal só é atingida aos dezoito anos, a ECA blindou a todos que se encontravam dentro desse limite etário, desde os pequeninos até os grandões, desde as vítimas de abuso, os explorados, até os criminosos irrecuperáveis que estão por aí matando, roubando, estuprando...

As quadrilhas cada vez mais arregimentam menores de dezoito anos para matar, na certeza de sua inimputabilidade e consequente impunidade.

Quando um grupo criminoso é preso o menor sempre assume a prática do crime mais grave, pois sabe que, graças a um entendimento canhestro e equivocado, ele não vai sofrer qualquer punição. Quando muito, ficará um ou dois anos num spa custeado pela sociedade, aprendendo com os seus pares novas modalidades criminosas.

Outro dia apreenderam (um eufemismo para a prisão light desses marginais) um "garoto" de 15 anos que matou duas meninas de 13 com requintes de crueldade. Todos os jornais noticiaram o fato. O que me chamou a atenção foi a advertência da mãe do facínora, que dizia: "ele é de menor!". Essa é a realidade que temos que engolir goela abaixo: em nosso país basta que o criminoso tenha dezessete anos, onze meses e vinte e nove dias para ficar impune, e a sociedade que se lixe!

É preciso uma urgente revisão desse conceito equivocado, ainda que bem intencionado, com severas e radicais mudanças na lei penal.

Precisamos deixar de empregar o critério cronológico para a aferição da maioridade e aplicar o conceito de maioridade mental e psicológica: se o criminoso tem condições de avaliar o caráter criminoso de seus atos e tem consciência da infração cometida, ele tem que ser apenado nos termos da lei penal como adulto, seja ele maior ou menor de idade, ou então a sociedade estará criando (já está!) uma multidão de criminosos mirins para desassossego de todos.

Os legisladores que se preocupam tanto com essas "crianças", com esses "meninos" deveriam levar um ou dois para casa e tentar incutir civilidade em suas cabeças, ao invés de nos deixar reféns dessa barbárie.

Minha proposta é simples: que os criminosos menores sejam julgados como adultos e como tais, recebam as penas cominadas para seus crimes; enquanto menores (até os 18 anos) devem cumprir pena em uma instituição com um regime menos severo, mas com grades, nada de spa ou colônia de férias; ao completar a maioridade, passariam para o inferno do regime penitenciário comum, para dar cumprimento ao restante de suas penas.

A sociedade precisa se defender. A pena não pode ter apenas um objetivo de ressocialização (raramente alcançado), mas deve ter um componente muito grande de expiação dos crimes cometidos. A pena também é uma forma de retribuição, de punição. 

E entendo que o conceito de Direitos Humanos é uma via com duas mãos de direção: só pode invocar e exigir o cumprimento de seus direitos aquele que reciprocamente obedece aos Direitos Humanos das outras pessoas.

Chega de equívocos! Chega de ECA!

Voltarei ao assunto.



Escrito por Paulo às 11h52
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Diferentes e Diferenciados

Na semana que passou aconteceu um grande "barraco" em Higienópolis por causa da decisão de se construir uma estação do metrô em plena Avenida Angélica.

Imediatamente se uniram as vozes da aristocracia decadente paulistana com os alpinistas sociais da comunidade judaica para defender seus "direitos" de não serem obrigados a conviver com pessoas diferenciadas de baixo padrão aquisitivo, ou seja: pobres! Pobre só é bom quando serve de motivo para a organização de festas de caridade (sem a presença dos próprios, lógico!), ou quando dão pretexto para aplacar as consciências dos privilegiados. De qualquer forma, é necessário manter uma certa distância deles, não lhes permitindo que venham expor sua pobreza em público, especialmente debaixo dos narizes e janelas da classe média ululante.

Pobre Higienópolis! O bairro já foi um exemplo para a cidade de São Paulo, pois nasceu no início do século passsado como um loteamento revolucionário criado pelo engenheiro Nothmann e pelo arquiteto Buchard. Era a primeira vez que se fazia casas na nossa cidade dotadas de água encanada, sistema de esgoto e banheiros internos, que permitiam o asseio das pessoas sem que fosse preciso usar a "casinha" externa.

Daí o nome do loteamento: cidade da higiene.

Pelo andar da carruagem, parece que a higiene se limitou ao corpo, pois a mentalidade dos moradores continua poluída, rançosa e cheia de preconceitos. Está na hora do poder público se impor e determinar que a estação do metrô se instale onde melhor possa atender às expectativas da população, a despeito dos interesses pessoais de alguns moradores locais.

O metrô deve atender a todos, especialmente aqueles que não dispõem de veículos particulares e de "chauffeurs" para servi-los.

Só faltava essa: metrô é ótimo, menos na porta da minha casa!

Vão se roçar nas ostras!

Qualquer coisa, volto ao assunto.

 



Escrito por Paulo às 09h29
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Durma-se com um barulho desses!

Cresci ouvindo, admirando e, dentro de minhas limitações, fazendo música.

Meu pai foi o responsável pela minha iniciação nesse universo maravilhoso e orientou meus primeiros passos para ouvir e admirar Orlando Silva, Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Pixinguinha e Nelson Gonçalves. Passei a admirar as poesias de Orestes Barbosa, Dorival Caimmy, Nelson Cavaquinho, Cartola, Lupicínio Rodrigues e outros tantos.

Na adolescência vivi dois intensos movimentos musicais: a Jovem Guarda e a Bossa Nova e me encantei com todos aqueles gênios que floresceram no Brasil, como Tom Jobim, Vinicius de Morais, Edu Lobo, Johny Alf, Taiguara, Baden Powell, Chico Buarque de Holanda, Ivan Lins, Zé Keti, Caetano Veloso e outros. Amei Rita Lee, Evaldo Gouveia (sempre em parceria vitoriosa com Jair Amorim) e me deliciei com a voz inesquecível do seresteiro Altemar Dutra... um blog é muito pouco para caber tanta genialidade.

De um dia para o outro começou a surgir na Bahia um movimento novo que acabou sendo chamado de "axé music" que reunia batuqueiros com poetas de segunda categoria, perpetrando umas bobagens rimadas, com letras de duplo sentido e gosto duvidoso, para fazer o povo correr atrás dos trios elétricos e vender discos. Muitos discos.

O mau gosto virou uma coisa comercial. Todo mundo queria segurar o seu "tchan" e faturar.

As passistas e sambistas, graciosas e ritmadas foram sendo substituídas por uma espécie de líderes de torcida de futebol americano, vestindo uns coturnos horríveis e trocando os ritmados passos de dança por um tipo de ginástica aeróbica onde o destaque principal era para o movimento canhestro, deselegante e nauseante das bundas.

Ah! As bundas tomaram conta dos palcos e dos shows por todo o Brasil. Nenhum conjunto poderia prescindir de uma loira bunduda. As músicas? As letras? A melodia? Isso era o que menos importava, desde que o público obedecesse ao comando de "bate a palminha", "tira o pé do chão", "sacode a bundinha", "mãozinha pro alto" e outras bobagens.

Pensei que a MPB havia chegado ao seu ponto mais baixo, pela indigência mental e pela falta de beleza e graça dos executantes. Imaginei os letristas, músicos, compositores e intérpretes do passado se revirando em suas tumbas, chorando de raiva por termos chegado a um ponto tão baixo da criatividade.

Mas eu estava redondamente enganado, pois se a inteligência tem limites, a burrice não tem!

Quando pensava que tínhamos chegado no fundo do poço e que daí por diante as coisas só poderiam melhorar, veio o "funk", um movimento carioca que ao invés de resgatar a MPB e honrar as tradições cariocas da bossa nova, acabou sendo uma pedra a mais lançada sobre os que se afogavam naquele poço sem fundo do axé.

O "funk", além de ser um movimento musical (?) indigente, é porta-voz da bandidagem dos morros cariocas e conseguiu ser pior que o axé em todos os sentidos: em primeiro lugar, não tem música, apenas um som de "bate-estacas" que serve de pano de fundo para mensagens (?) pobres, sem rima nem métrica e não raro produzidas por pessoas que sequer concluíram o ensino fundamental. Ou então um ruído de fundo produzido por DJs, aqueles caras que vivem de arranhar os discos que foram duramente produzidos por outros. Poesia? Nem pensar!

As "passistas" do axé foram substituídas por um bando de "cachorras" (o termo é deles) que se revezam em mostrar quem tem a maior bunda e quem consegue os movimentos mais bizarros com elas. O duplo sentido do axé virou exposição explícita.

Hoje até se coloca silicone nos glúteos para ficar mais deselegante e avantajado. Que me desculpem, mas como dizia Vinícius, em matéria de mulher a beleza é (ou deveria ser) fundamental.

E o pior é que também faturam com essa bobagem. Muito!

Olhando tudo isso tenho saudades do Orestes Barbosa e suas poesias, assim como do Cartola ou do Poetinha Vinícius de Morais.

Resta um comentário final, uma espécie de prêmio "hors concours" das "letras de música": um "poeta" escreveu uma música que repete à exaustão (e coloca exaustão nisso!) a palavra "burguesinha". Grande criatividade!

O outro é o Neguinho, puxador de sambas-enredos da Beija Flor, que, como o sapateiro, resolveu ir além das chinelas e perpetrou uma "música" cuja "letra" diz mais ou menos: mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher... Depos tem o refrão que diz: mulher, mulher, mulher...

Acho que estou envelhecendo, mas isso me dá o ensejo de dizer o que eu penso de tanta bobagem

E posso dizer com orgulho e saudade: "Meninos, eu vi."

Voltarei ao assunto.

 



Escrito por Paulo às 11h49
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Patrulha

Ultimamente temos assistido a um intenso movimento de patrulhas ideológicas, étnicas e de práticas sexuais. Depois da institucionalização do "politicamente correto", um modismo que importamos dos Estados Unidos, toda e qualquer minoria (e são muitas, pois o todo é formado de inúmeras minorias) se julga no direito de puxar a orelha de quem quer que externe opiniões contrárias a elas.

Ë a correção política não é cobrada apenas de nossas atitudes futuras. Também o passado está sendo revisto e expurgado de manifestações incômodas e constrangedoras aos olhos de hoje.

A coisa é séria: meu neto de seis anos chegou em casa cantando o "Atirei o pau no gato" com uma releitura politicamente correta que diz mais ou menos o seguinte: "Não atirei o pau no gato-to-to, porque isso-so-so, não se faz-faz-faz..." Fiquei imaginando que se esses professores forem ensinar marchinhas de carnaval às crianças vão precisar de muita criatividade para mudar os versos do "O teu cabelo não nega... porque a cor não pega, mulata", "Olha a cabeleira do Zezé" ou "Maria Sapatão", pois que eivados de comentários hoje considerados preconceituosos e agressivos em relação aos negros e aos homossexuais.

A História e as manifestações culturais de uma determinada época podem (ou devem) ser reescritas? As patrulhas têm o direito de promover a releitura canhestra e equivocada das manifestações populares? Será que um grupo islâmico pode exigir que se reescreva a letra da marchinha que diz: "Alá, meu bom Alá, Ala-laô-ôôôôôô".

E o lobo mau? Não vai aparecer nenhuma ONG protetora dos direitos dos animais, para dizer que isso é racismo, segregação ou preconceito contra os canídeos?

Isso tudo me parece insanidade, coisa de quem não tem mais o que fazer.

Entendo que ter Opinião formada a respeito do temas diversos não é pré-conceito. O preconceito nasce de uma generalização de estereótipos; a Opinião surge da vivência, da experiência ou da análise dos fatos.

Observem, no entanto, que hoje não se pode criticar um negro, que nossa opinião é tida como racista.

Se falar mal de um judeu, vira anti-semita.

E se ousar criticar ou questionar as práticas dos homossexuais, pode estar certo que a a ala gay vai fazer o maior barulho visando a afirmação do orgulho (?) desa minoria, chamando-nos de homofóbicos.

Há algum tempo passou nos cinemas um filme denominado "As branquelas" em que dois negros se travestem de mulher, com uma maquiagem disfarçando a cor de sua pele. O filme é muito ruim, mas não pretendo fazer crítica de cinema: imaginem se fizéssemos um filme igualzinho, só que com dois protagonistas brancos e déssemos o título de "As Crioulas" ou "As Negonas"? Estejam certos que ia cair o mundo.

Ontem li no noticiário que um jogador de vôley se sentiu agredido pela torcida adversária que fez um coro de "Bicha! Bicha!" por causa de suas preferências sexuais. Porque é que o cara se sente agredido, se ele próprio confessa ser homossexual? Os homossexuais se tratam carinhosamente por "Bicha". Porque é que bicha pode e quem não é bicha não pode?

Não tenho nada contra os homens que preferem pernas cabeludas e braços musculosos, mas chamar isso de "Opção" é uma piada. Opção tem o cara que possui um carro com câmbio tiptronic: serve para ser usado de um jeito ou de outro. O câmbio admite as duas possibilidades, ambas são naturais.

No caso dos nossos órgãos, qualquer uso diferente daquele que a natureza e a fisiologia determinaram é desvio de uso, é anomalia e o ânus, definitivamente, não é orgão sexual.

Sei não, mas acho que estou ficando velho demais para ficar quieto diante de tanta insanidade.

Voltarei ao assunto.



Escrito por Paulo às 12h29
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Campeões de audiência

As redes Globo e Record estão lavando roupa suja em público, no horário "nobre" da televisão.

A Globo divulgou um resumo das acusações feitas pelo Ministério Público sobre as práticas negociais da Igreja Universal do Reino de Deus, denunciando a formação de quadrilha, o desvio e a lavagem de dinheiro, além de exploração da credulidade pública com seus "shows de fé" e de "milagres".

A Record revidou com acusações sobre o affair Time-Life, de quase cinquenta anos atrás, o caso Proconsult na apuração dos votos para o governo do Rio de Janeiro, na primeira gestão Brizola (coisa de trinta anos atrás) e ainda, pelo descaso da Globo na cobertura do movimento "Diretas Já!", do final dos anos oitenta (trinta e poucos anos).

Que o assim denominado e auto-sagrado "Bispo" Edir Macedo não é flor que se cheire, todos sabemos. O lava jato da fé por ele montado serve para a exploração das camadas mais humildes da população, vendendo salvação e pretensos milagres e para a arrecadação, segundo o MP de coisa da ordem de R$ 8 bilhões nesses anos de dedicado trabalho "espiritual".

Mexer com a fé dá nisso: não há necessidade de cursos nem diplomas; a montagem inicial dos templos é barata; não há fiscalização da qualidade dos produtos; não se exige comprovação de resultados nem prazos de validade; e o consumidor não pode se valer do Procon ou de qualquer outro órgão fiscalizador. O Direito do Consumidor não pode ser invocado pelos iludidos.

Além disso as contribuições são feitas em dinheiro vivo, sem recibo nem nada dessas coisas complicadas que a lei exige para qualquer outra atividade e as igrejas são isentas do pagamento de tributos pela Constituição, o que garante um usufruto total da arrecadação por aquele que detenha as chaves do cofre.

A IURD, a exemplo de outras igrejas, especialmente as televisivas, também opera um sistema de franquia para a montagem de novos templos e multiplicação de seu alcance e vem formando uma bancada de deputados estaduais, federais e senadores, a fim de realmente partir para a conquista do poder. Em nome de Jesus!

Não é à toa que vimos assistindo a uma verdadeira multiplicação de cultos pelo país. Antigamente eram apenas Pastores: agora são Bispos, Bispas, Profetas e Apóstolos, todos com suas mensagens maniqueístas, atribuindo ao demônio tudo o que de mal acontece aos homens e vendendo a imagem da salvação eterna mediante o pagamento de dízimos e oferendas. E todas elas transformando seus altares em verdadeiros terrenos de vodu, exorcizando demônios e coroando os cultos com palavras cabalísticas inventadas a partir de uma tendenciosa e ridícula interpretação de um trecho da Bíblia (Pentecostes).

Não pretendo dizer que a Rede Globo seja totalmente inocente das acusações alinhavadas pela Record, mas o sabor requentado de assuntos tão antigos indica que a Globo acertou nos calos da rival.

A nós, telespectadores, resta o consolo do controle remoto. ZAP neles!

Volto ao assunto mais tarde.

 



Escrito por Paulo às 11h51
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Homens e Cavalos

Estou olhando um quadro de cavalos que se encontra na parede meu escritório e me veio à mente a curiosa interação entre homens e cavalos desde a antiguidade. Na Grécia as lendas falavam da existência de seres mitológicos, os centauros, com corpo de cavalo e torso e cabeça de homens e ainda, de um fantástico cavalo alado, o Pégaso, domado pelo herói Belerofonte.

Ainda na História Antiga a queda de Tróia deveu-se a um estratagema dos espartanos, abandonando no campo de batalha um grande cavalo de madeira recheado de guerreiros. Estes teriam aberto as portas da cidade assim que o troféu de guerra foi levado para dentro dos muros da fortaleza.

Os índios americanos tinham uma relação quase afetiva com seus cavalos selvagens, os mustangs, que emprestaram o nome a um dos maiores sucessos de venda da Ford. Por falar em automóvel, cite-se ainda o inesquecível logotipo da Ferrari que representa um cavalo empinando.

Além de meio de transporte e de carga dos homens, os cavalos tiveram papéis de destaque nas guerras e nas conquistas da humanidade. Gengis Khan não teria conseguido dominar metade do mundo conhecido se não fossem os cavalos e cavaleiros mongóis, respeitados e temidos em seu tempo. O mesmo se diga de Alexandre da Macedônia.

Em Roma o Imperador Calígula teria nomeado seu cavalo Incitatus para o Senado, não sei se para demonstrar desprezo pelo Senado ou para enaltecer a figura do cavalo.

Os conquistadores espanhóis do Novo Mundo tiveram sua ação grandemente facilitada pelo fato de se apresentarem montados em cavalos, animal desconhecido na América do Sul e eram vistos como deuses em suas armaduram brilhantes e montados naqueles animais magníficos e musculosos.

No épico espanhol "Don Quixote de La Mancha" o cavalo do herói, Rocinante é um mero pangaré, mas aos olhos do ensandecido Cavaleiro da Triste Figura seria um corcel maravilhoso, digno de suas conquistas.

Nos gibis de minha infância muitos foram os cavalos que ficaram famosos: há um que era fantástico, pois o mocinho se chamava Doutor Robledo, um médico insignificante que montava um cavalo esquálido denominado Molenga. Quando surgia algum perigo que justificasse a intervenção do herói ele vestia uma roupa preta com máscara, uma cartucheira com dois revólveres e se transformava no Cavaleiro Negro. Curiosamente, o cavalo sacudia a crina, se empertigava e também se transformava num verdadeiro puro sangue, chamado Tufão. Grande ator esse cavalo!

No cinema foram muitos os cavalos que pontilharam minha infância, desde o inesquecível Triger, do Roy Rogers, até o não menos inesquecível Silver (aiôôôu, Silver!), do Zorro, que fazia par com o Escoteiro, cavalo de seu companheiro, Tonto. E não se pode falar de heróis e seus cavalos sem lembrar o Herói, do Fantasma, sempre trotando lado a lado com o lobo Capeto.

São muitos os cavalos inesquecíveis, porém me ocorre uma dúvida que nunca consegui responder: qual era mesmo a cor do cavalo branco de Napoleão? Ou seria uma égua?

É só por hoje.



Escrito por Paulo às 12h09
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Lei antifumo - (Fumo sim, e daí?)

O Governador Serra saiu recentemente de um merecido ostracismo em companhia de seu médico televisivo e amparado por uma veradeira milícia chiita, para vir a público com uma legislação antifumo que vem criando celeuma e exacerbados debates, principalmente na Capital.

O problema maior é que a lei não se limita a impor regras de convivência e a dividir espaços entre fumantes e não fumantes, mas foi editada com o fervor místico digno de um Antonio Conselheiro para impor o que eles consideram que é bom e o que não é bom para a sociedade. A lei quer acabar com o fumo, acabando com os fumantes e enaltece a prática da delação pretendendo tornar-nos todos fiscais compulsórios da lei.

O próximo passo deverá ser a exorcização dos Espíritos do Mal que regem o fumo e determinar, a exemplo dos pastores da televisão: eu te ordeno, ó maligno, que deixeis o corpo deste fumante, em nome de Jesus!

A lei federal 9294/96, no entanto, já havia pontificado sobre o tema estabelecendo uma democrática divisão de espaços entre fumantes, não fumantes e os que não estão nem aí com o fato.

A lei 9294/96 estabelece que não se pode fumar em recintos coletivos, públicos ou privados, mas ressalva: salvo nos locais especialmente destinados a essa finalidade. Ora, partindo do fato de que a lei nunca contém palavras inúteis, isto equivale a dizer que nos recintos coletivos públicos ou privados deve, ou pelo menos pode haver "locais especialmente destinados a essa finalidade".

Basta um pequeno compressor criando uma cortina de ar sob pressão para dividir até mesmo o compartimento de um avião, de forma a não ferir as sensibilidades de quem não fuma e garantindo-se o direito de quem é dependente físico, químico, psicológico e precisa da ingestão contínua e dosada desse veneno social. Afirmar que fumantes e não fumantes não podem dividir o mesmo espaço é mera balela, fruto, provavelmente, de uma síndrome de abstinência de ex-fumantes. 

Lembrem-se que ninguém fuma porque quer, mas sim, por que precisa. Somos viciados, dependentes, e essa dependência nos foi imposta com a participação, incentivo e beneplácito do Estado que permitiu que o vício se disseminasse livremente, de olho na receita tributária escorchante de mais de setenta e sete por cento do preço de cada maço.

Mas o governo de São Paulo não quer impor uma divisão de espaços: ele pretende primeiramente escorraçar da sociedade os fumantes; num segundo momento, talvez tenhamos que andar com um cajado com um sininho na ponta, como os leprosos medievais ou, quem sabe, teremos que costurar uma estrela no paletó para nos identificarmos.

Dizem os criadores dessa lei que ninguém está proibindo o fumo. Mas na verdade estão, pois criam tais limitações ao fumante, que equivalem a tornar o fumo atividade ilícita, o que é inconstitucional, já que a prerrogativa e competência para legislar sobre o tema é da União.

Se essa política burra fosse aplicada à AIDS ou DSTS, por certo iam rolar cabeças.

O fervor chiita do Governador (que não fuma mais, lógico!) pode ser constatado pelo aparato fiscalizatório que foi montado a peso de ouro com o dinheiro público (inclusive dos fumantes, que trabalham, pagam impostos e votam!) com objetivo meramente arrecadatório.

O fato mesmo é que a lei estadual é em muitos pontos inconstitucional, já que interfere na liberdade dos cidadãos, que não podem ser impedidos de fumar pelo fato de que a venda, comércio e consumo de cigarros são atividades lícitas em nossa sociedade. Além disso, a lei estadual não tem o condão de revogar a lei federal, em pleno vigor. E essa lei (9294/96), repetimos: não proíbe o fumo, mas sim, limita os espaços onde esse possa ser exercido.

Por outro lado, o Estado não pode impor ao comerciante o ônus de fiscalizar o cumprimento da lei, sob pena de ele mesmo responder pela sanção econômica. Comerciante não é fiscal do Estado. Nem pode ser punido por atos de terceiros a que não tenha dado causa.

E há mais: a lei admite (que generosidade!) o fumo em residências dos fumantes. E como fica uma festa de casamento realizada em um buffet alugado integralmente pelos noivos? Ou uma festa particular realizada no saláo de festas do condomínio? Trata-se de extensões da residência do locador e não há de ser o Estado que poderá impedir o consumo de cigarros (que são produzidos e vendidos licitamente, repita-se!).

Advirta-se ainda com o fato de que um fumante que se veja compelido a consumir 40 cigarros por dia precisa da ingestão dosada de 4 cigarros por hora. E se se tratar de um médico (sim, muitos deles fumam!) terá que abandonar a profissão por falta de um fumódromo em seu ambiente de trabalho? Ou um advogado trabalhando no Foro? O fumódromo ("local especialmente destinado a essa finalidade") não é uma benesse do Poder nem pode ser entendido como fruto da generosidade do poderoso de plantão.

Entendo que a ausência de "locais especialmente destinado a essa finalidade" representa séria ofensa ao direito de ir e vir garantido pela Constituição Federal e desafia a impetração de habeas corpus.

O assunto se encontra sub judice e esperamos que vença o bom senso, a despeito da maioria dos juízes não ser fumante, o que, no entanto, não deve comprometer suas considerações, já que sua decisão será estritamente jurídica.

Se isso não acontecer, resta a nós instalarmos um bafômetro na boca das urnas e só darmos nosso voto a quem nos respeita como cidadãos que somos.

O assunto está em aberto e volto a ele.



Escrito por Paulo às 11h55
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Amarcord.

Outro dia me lembrei de minha juventude, quando costumava acampar na Curva do Sargento para assistir as "24 Horas de Interlagos".

Já não sou jovem, não acampo mais para assistir corridas, a Curva do Sargento foi aterrada e nem me lembro quando foi disputada a última edição das "24 Horas". E o Autódromo de Interlagos, que era uma pista quase perfeita, tanto para pilotos como para o público, transformou-se num circuito burocrático para atender aos interesses da televisão e da FIA.

O circuito antigo, com sete quilômetros e meio (hoje tem quatro) era um desafio para os pilotos, com uma grande variedade de dificuldades e com uma singularidade em relação às outras pistas em todo o mundo: de qualquer lugar que o público estivesse, a visibilidade seria de quase oitenta por cento das retas e curvas.

Da arquibancada principal, na linha de chegada, enxergava-se a Curva Um, o Retão inteiro, a Junção, a Ferradura, todo o percurso até a Subida do Lago e o início da Reta Oposta e esta inteira, só perdendo visibilidade para a Curva do Laranja. Depois se avistava a saída do Sargento, a Curva do Sol, a Curva do S, Pinheirinho e Bico de Pato e o início do Mergulho. Via-se também a metade final da Subida e toda a Reta do Box. 

Eu costumava acampar na Curva do Sargento, onde só não tinha visibilidade da Junção até a Curva Um. No entanto, enxergava-se claramente todo o miolo da pista.

Lembro-me de grandes "pegas" entre o Catarino Andreatta e Camilo Cristóforo, chamado "O Lobo do Canindé", com suas carreteras envenenadíssimas e montadas sobre chassis de velhos Fords e Chevrolets. Não havia cintos de segurança e nem se falava em "cock pits" e lembro-se que o capacete do velho Catarino (tive um igual) era como que um boné de fibra e o restante da proteção da nuca, ouvidos e queixo era apenas de couro.

Pelo Retão de minha memória passam voando Bird Clemente e Luiz Pereira Bueno, da Equipe Willys; os Irmãos Émerson e Wilson Fittipaldi e seus Porsches número setenta e sete; Emílio Zambello, sempre levando bronca de Piero Gancia, proprietário das Alfas, por tentar tirar dos carros mais do que eles podiam dar...

Era uma época romântica e o amadorismo dava a tônica dessas corridas, com pilotos aficcionados, que preparavam suas baratas durante a semana, não raro em suas próprias oficinas, para poder correr no domingo em busca apenas da satisfação pessoal e um lugar no pódio.

Tudo isso me veio à mente enquanto assistia "Amarcord", de Federico Fellini. O título é tirado do dialeto napolitano que, em italiano significa "io mi ricordo". O título do presente é uma homenagem ao filme e uma afirmação de que "anch'io mi ricordo".



Escrito por Paulo às 14h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A alma do negócio

O telespectador brasileiro é um consumidor de anúncios, não por que queira, mas pelo fato de que nenhuma das estações de televisão cumpre a lei e exibe muito mais propaganda do que deveria.

Entendo que, apesar de tudo, somos obrigados a tolerar os espaços publicitários na TV aberta, pois é deles que sai o patrocínio dos programas. Mas e na TV a cabo que é paga, custa caro e ainda nos enche de anúncios e irritantes infomerciais que parecem feitos para débeis mentais? Por que pagamos para receber um sinal que nos é cobrado uma segunda vez?

Mas, quanto à propaganda, além de encher nossa paciência também apresenta "pérolas" de mau gosto e de raciocínio ilógico.

A Folha de São Paulo, por exemplo, ganha de longe o primeiro prêmio na categoria "Ai meu saco!". Primeiro com aquela tentativa - malfadada - de transformar o jornal de domingo no Folhão, pois o apelido (tirado do Estadão) se constrói com anos de dedicação ao leitor e não com um irritante martelar de uma agência de propaganda.

Depois foi aquele rato horroroso a repetir o telefone (qual era mesmo?) dos classificados. E agora tem um anúncio que, além de improdutivo é ruim pra cachorro: aquele da mosca que pousou na minha sopa (xô, dona mosca!). Mudo de canal toda vez que aparece.

E vejam que a Folha já usou anúncios memoráveis, como aquele que citava trechos de um discurso nacionalista, com a imagem se tornando cada vez mais nítida até percebermos que se tratava de um discurso de Adolf Hitler (Aplausos!).

O que houve? Mudaram de agência? Deu branco nos publicitários? Ou é o responsável pela aprovação das peças que é fraco?

Mas não fica nisso. O Ford Fusion tem um anúncio no ar que mostra duas alternativas para uma mesma proposta (Onde voce pretende estar daqui a cinco anos?). O final é engraçado pela comparação dos planos de cada um. Só que a assinatura diz mais ou menos isso: "quem dirige um Ford Fusion fez por merecer".

A frase final não tem nada a ver com a imagem apresentada. No caso do rapaz, tudo bem, ele se apresenta vitorioso, dirigindo o seu carro. No caso da moça quem está dirigindo é o rapaz (como mero motorista) e a vitoriosa é ela.

Coerência e adequação, gente!

Já o remédio Claritin mostra mãe e filha no sótão de sua casa (sótão? no Brasil? onde?) abrindo um baú que contém um vestido de noiva. Imagina-se que seja do casamento da mãe, mas não está mofado nem amarelado, está pronto para usar. Milagres da televisão.

Sugiro que os telespectadores usem o controle remoto para punir quem abusa de nossa paciência e faz pouco de nossa inteligência. ZAP neles, gente!

 



Escrito por Paulo às 17h56
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Desafiando o perigo.

Antes de mais nada, antecipando-me aos mais apressadinhos, quero reafirmar minha consternação pelo acidente sofrido pelo piloto Felipe Massa e somar meus fluidos positivos, seja lá o que isso possa significar, aos de todos os brasileiros, torcendo por sua pronta e completa recuperação.

No entanto, não poderia deixar de observar que o perigo é uma constante na vida dos pilotos, que são pagos - e muito bem pagos - para desafiar a probabilidade da ocorrência desses sinistros. É uma opção de vida que não é imposta a ninguém e que é assumida por existir uma relação custo/benefício que interessa a essas pessoas.

O público que frequenta os autódromos e aqueles que grudam na televisão domingo sim, domingo não, por sua vez, só o fazem para ver os pilotos correrem riscos e quanto maiores, mais admirados. É uma verdadeira catarse nacional, que nos transforma por poucas horas em Massas, Sennas, Piquets ou Fittipaldis sem que tenhamos de nos arriscar.

O público vibra com as ultrapassagens perigosas, com os inevitáveis choques entre os bólidos e - porque não? - com os acidentes previsíveis que ocorrem de tempos em tempos. Se as corridas não contivessem em si o germe da possibilidade de acidentes cada vez mais severos o interesse do público iria minguar, a audiência diminuiria gradativamente e os elevados patrocínios e salários deixariam de existir.

Imaginem uma corrida de Fórmula I em que as baratas não pudessem ultrapassar os cem quilômetros por hora. Tanto pilotos quanto o público morreriam de tédio!

Por essa razão sou obrigado a contestar aqueles que falam da "fatalidade" de acidentes como o de Ayrton Senna e agora de Felipe Massa, usando essa expressão como sinônima de imprevisibilidade. E esses acidentes, que se repetem com insistente regularidade não vão impedir que outros mais, cada vez mais sérios continuem acontecendo no futuro, nem que seja pelo simples desejo de superação pessoal dos pilotos.

Há alguns anos dois alpinistas brasileiros resolveram desafiar a escalada do Aconcágua pela face mais difícil e perigosa e acabaram perdendo a vida na infeliz tentativa. Não acho, no entanto, que devamos chorar por eles, pois eles procuraram  desafiar expontaneamente os limites de suas possibilidades físicas e encontraram o que buscavam ansiosamente, pagando o preço que sua aventura lhes impunha.

Ninguém é obrigado a ser piloto, ou alpinista. A ninguém é imposto navegar sozinho até a Antártida ou megulhar no meio de tubarões. E quem realiza essas proezas ou maluquices está disposto a pagar o preço de sua ousadia, seja por mero capricho pessoal ou em busca do pote de ouro que se encontra no final desse arco-íris de riscos e perigos.

Dito isso, reitero minha esperança de que Felipe Massa se recupere totalmente, mas não posso deixar de constatar que ele encontrou o que sempre buscou.

Perdão pela dura e amarga sinceridade.

 

 



Escrito por Paulo às 16h30
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Estupra, mas não mata?

O mar não está mesmo pra peixe lá pros lados do Senador José Sarney.

Mesmo depois da "matemágica" que reduziu de 664 para "apenas" 553 os assim chamados "atos secretos" do Senado não param de aparecer provas e evidências da participação de nosso ex-Presidente em toda a maracutaia: distribuição de cargos para a parentela e apaniguados, aumentos ilegais de salários e mordomias, ocupação de imóveis funcionais por pessoas não qualificadas... ufa! a lista de desmandos é incrível!

Aí vem o Presidente Lula, em defesa do Sarney,  no afã de manter o frágil e instável liame que une as forças que o apóiam e diz que a Opinião Pública deve ser menos severa com a safadeza, pois uma coisa é um crime sério de desvio de dinheiro público, outra coisa é o "mero" lobby (tráfico de influência) ou um "simples" telefonema pedindo um favor para um amigo ou parente.

Parece que o Maluf anda fazendo escola, pois quando se trata de defender os amigos ou aliados de ocasião, se não matar pode estuprar que é mera contravenção.

Êta, Brasil! Se fosse um país medianamente sério já teriam rolado muitas cabeças.

É so por hoje, mas ficaremos antenados com os desdobramentos do caso.



Escrito por Paulo às 10h41
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Cadê a minha quota? - II

Era brincadeira, gente! Quando reclamei das quotas para os obsoletos (23.06) eu simplesmente fazia ironia com a mania nacional de resgatar as injustiças do passado criando novos injustiças no presente.

Não creio que quotas possam representar uma solução para o problema dos preteridos, mesmo que a preterição seja por puro preconceito.

Retorno ao tema, pois acaba de ser aprovada, em 16 de julho, pela Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal mais uma lei que pretende aquinhoar os maiores de 50 anos com 5% das quotas destinadas aos cargos públicos em concurso. Agora a matéria deverá ser submetida à Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Ocorre que a política de quotas é odiosa e resulta apenas em mais preconceito, gera rancores entre classes, categorias ou espécias de indivíduos e acaba não resolvendo o problema. É mais ou menos como tampar um buraco com a terra do buraco ao lado.

Bastaria que levássemos a sério o ditame constitucional de que "todos são iguais perante a lei". Ou, como pontificou Ruy Barbosa, "a igualdade consiste em aquinhoar os desiguais desigualmente, na proporção de sua desigualdade". E a desigualdade, no caso dos exames vestibulares, há que ser a capacidade e não a cor da pele, assim como no serviço público, as provas e títulos apresentados pelo candidato, independentemente de sua idade.

É sabido, no entanto, que no serviço público muitos candidatos que são bem sucedidos nas provas, acabam sendo barrados nos exames orais ou nas entrevistas finais apenas pelo odioso critério da idade. Para solucionar ou minimizar o fato, bastaria que os examinadores ou entrevistadores fossem obrigados a apresentar avaliações objetivas dos candidatos, ao invés de lançar mão de critérios subjetivos. E que se concedesse aos candidatos o direito de se manifestarem a respeito das avaliações da banca examinadora, com o competente recurso.

Pelo amor de Deus, menos quotas e mais criatividade, senhores legisladores!

Volto ao assunto a qualquer momento em edição extraordinária.

 



Escrito por Paulo às 12h28
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Sobre nomes.

Nos anos 40 e 50 o cinema se incumbiu de criar uma legião de fãs da menina prodígio Shirley Temple. Todas as mães queriam que suas filhas tivessem cachinhos e soubessem cantar, representar e sapatear como a estrela-mirim.

Assim, nasceu um batalhão de Sirleis (com a tônica recaindo na segunda sílaba). Depois vieram as Sirlenes, Cirlenes, Sirlênias e quantas outras corruptelas se possa imaginar para o nome.

Pouco depois surgiu o Padre Donizetti Tavares de Lima, que diziam fazer milagres em Tambaú. Seu nome homenageava um famoso compositor de música clássica, assim como aconteceu com seu sobrinho, Chopin Tavares de Lima, que veio a ser deputado federal por São Paulo.

Para homenagear o padre, ou para cumprir promessa, surgiram milhares de Donizetes, Donisetes ou Donizetis por esse Brasil e nunca mais se falou no compositor. A grande maioria dos Donizetes não tem a menor idéia da origem de seu nome, conseguindo chegar, no máximo, até o pároco pretensamente milagreiro.

Nos últimos 30 anos despontou o Rei do Pop, Michael Jackson, que veio a originar uma multidão de Maicons e Maicon Jecas em todo o território nacional.

Nào nos esqueçamos de Lady Diana Spencer, que criou uma infinidade de Leides, Leidedais, Daianes e Dayannys em nosso país.

Esses fenômenos não são novos. A vontade de reproduzir nomes famosos aliada ao analfabetismo endêmico em nosso país vem criando há muito tempo mostrengos como Washtons, Magaiveres e até mesmo um jogador de futebol que ostenta o nome de Alandelon.

No futebol, aliás, terreno propício a esse tipo de ocorrência, já que a maioria dos jogadores vem das camadas menos favorecidas da população encontra-se nomes como Ibson, Madson, Keirrison e Richarlyson, podendo-se dizer, contudo, sem medo de errar, que não há um Ib, Mad, Keirri ou Richarly Seniors que justifiquem a terminação "son" dos nomes de seus filhos.

Até o ex-presidente Sarney ganhou esse apelido pois era filho do Ribamar, que trabalhava na fazenda do Sir Ney. Foi assim que o José Ribamar passou a ser identificado como "o do Sir Ney", devidamente abrasileirado e incorporado, para diferenciar dos muitos José Ribamares do Maranhão.

Coisas de Brasil, que só tem esse nome por causa da madeira avermelhada que parece uma brasa acesa.



Escrito por Paulo às 15h53
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, PINHEIROS, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, French, Bebidas e vinhos
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
Votação
  Dê uma nota para meu blog